06. 01. 2009
às 13:49horas.

Odi et amo
You disgust me. I
love you. I.
Stop. asking. questions.
I.
Leave. me. alone.
Odi et amo
Você me repugna. Eu
te amo. Eu.
Não. faça. perguntas.
Eu.
Deixe. me. sozinho.
Richard Price
Tradução: Virna Teixeira
"até segunda ordem não me risque nada."

Odi et amo
You disgust me. I
love you. I.
Stop. asking. questions.
I.
Leave. me. alone.
Odi et amo
Você me repugna. Eu
te amo. Eu.
Não. faça. perguntas.
Eu.
Deixe. me. sozinho.
Richard Price
Tradução: Virna Teixeira

Retrospectiva Antônio Bandeira
O MAC-USP expõe trabalhos do pintor e desenhista Antônio Bandeira (Fortaleza,1922/ Paris, 1967), pioneiro do abstracionismo no Brasil.
Rua da Reitoria, 160 - Cidade Universitária
Entrada Franca
Até 25/01
FELIZ 2009!!

ODE
O início? O mesmo fim.
O fim? O mesmo início.
Não há fim nem início. Sem história
o ciclo dos dias
vive-nos.
Orides Fontela

Caramujo
Não há anestesia para os edifícios que caem. Para o veneno que o espinho solta no ar em meio aos arbustos. Para uma casa no pulso.
Para a mais íntima cirurgia, que risca o ar e faz soletrar um vôo.
Para o ritmo dos pedais aumentar a velocidade até atingir de novo o ar
e o alcalino das plantas, pedras, magnésia - quanto vai durar -
Para a paisagem colidindo com os dias futuros.
Para o pulmão (azul, laranja, vermelho, cinza) para respirar um novo mundo-
caramujo. Quase recluso.
André Dick

example
how i revisited a location from the past, and how this location came to be revised in the present. how the clarity of argument is the remainder of desire. how desire is not subversive, but the remainder. how the body escapes, how this created in me a failure to communicate. how this failure to communicate led me to recognize lovers in the face of strangers. how these faces were mirrors, refractions of events onto the structures around then. how collapse seems inevitable. decay takes on mantles of emotional projection. how i surrender to noise and decay among abstract locations. these locations are history
exemplo
como revisitei um lugar do passado, e como este lugar veio a ser revisado no presente. como a clareza de argumento é o resíduo do desejo. como o desejo não é subversivo, mas o resíduo. como o corpo escapa, como isto criou em mim uma dificuldade de comunicar. como esta dificuldade de comunicar me levou a reconhecer amantes no rosto de estranhos. como estes rostos eram espelhos, refrações de eventos sobre as estruturas em torno deles. como o colapso parece inevitável. decadência assume trajes de projeção emocional. como me rendo ao barulho e decadência entre lugares abstratos. estes lugares são história
E. Tracy Grinnell
Tradução: Virna Teixeira
E. Tracy Grinnell tem vários livros de poesia publicados, vive em Nova Iorque, é responsável pela Litmus Press e edita a revista Aufgabe.
Charlie Brown - Christmas dance
Um Feliz Natal a todos os leitores deste blog!

Blue night. Paul Klee
Sono
Noite inteira. Dançam estrelas na grama.
Recolhem-se à mata e às cavernas as sendas,
o capricórnio não mais fala.
Corujas gris repousam como urnas nos abetos.
Nas trevas sem testemunhas,
calam-se pássaros, sangue, e a terra se cala,
e as aventuras em que eternamente recaímos.
Na brisa restou uma alma somente,
sem passado,
sem presente.
Com ruídos surdos por entre as árvores
levantam-se os séculos mortais.
Em sonho meu sangue como onda
lança-se de mim
de volta a meus pais.
(1929)
Lucian Blaga
Tradução para o romeno de Caetano Waldrigues Galindo
Em: A grande travessia. Editora Unb, coleção poetas do mundo, 2005.

(…) Atira-se sobre mim. Mal tenho tempo de pousar a maldita garrafa, com a qual ele não parece preocupar-se.
Esqueceu as atenções habituais e simplesmente me derruba. Estou cansada. O que me resta de força, emprego em reprimir as lágrimas de esgotamento, nem sequer de desgosto. Estou quase indiferente e a custosa vitória de ter trazido Renaud de volta parece-me completamente vazia. Resigno-me à função de executório de bêbado, que me compete; que ele faça, pois, o que quiser. Talvez já não o ame. Meus nervos cedem, por que não chorar, afinal de contas, tanto pior se isso lhe desgosta. Pouco me importa. Ao invés das lágrimas, é o prazer, brutal, vindo não sei de onde. Grito como uma louca. Seguro Renaud de encontro a mim - “Ah! Eu te amo.”
Ele ri.
Não é fácil sofrer em meio ao prazer. Não sei mais onde estou, as ondas interferem.
(…)
- Um dia - disse ele - escreverei um tratado. Vou chamá-lo Do Amor. Isso já existe, mas necessita de sérias correções. Vou chamá-lo Do Amor e serei contra. Demonstrarei que o amor não existe. da seguinte maneira: se retirarmos do amor tudo que lhe é estranho, nada fica. Absolutamente nada.
Christine Rochefort
Best-seller nos anos 60 na França, “O repouso do guerreiro” narra uma relação de co-dependência entre uma mulher e uma alcoólatra. A história foi filmada foi Roger Vadim, com Brigitte Bardot e Robert Hossein nos papéis principais. O livro foi editado no Brasil pela editora panamericana (não encontrei o nome do tradutor).
ANTIGOS E SOLTOS
Acaba de sair o livro “Antigos e soltos - poemas e prosa da pasta rosa”, após 25 de morte de Ana Cristina César. O material foi preservado pela mãe da poeta, Maria Luiza, e doado pela família ao Instituto Moreira Salles, onde se encontram todos seus originais. Posteriormente, foi catalogado por Manoela Daudt d’Oliveira e reorganizado para a presente edição por Viviana Bosi.

Litoral
meu amor escapa outra vez pela
fenda calada do verso a voz
fraca sobre a curva naufraga
ondas mornas imóveis
meu amor escapa esta superfície
irrespirável enreda
o vôo o movimento
inverso não mais teus ossos
águas sem sopro onde uma
temporada apenas
neste inferno
***
enquanto canto agora morre meu
desejo morre te consolo com meu corpo
morto
enquanto canto agora vive meu
desenho morre te desejo dentro do meu
corpo
Ana Cristina César