CHARLES BUKOWSKI
Um poema, duas versões
Confession
waiting for death
like a cat
that will jump on the
bed
I am so very sorry for
my wife
she will see this
stiff
white
body
shake it once, then
maybe
again:
“Hank!”
Hank won’t
answer.
it’s not my death that
worries me, it’s my wife
left with this
pile of nothing.
I want to
let her know
though
that all the nights
sleeping
beside her
even the useless
arguments
were things
ever splendid
and the hard
words
I ever feared to
say
can now be
said:
I love
you.
Confissão
À espera da morte
como um gato
que vai saltar na
cama
estou muito pesaroso
pela minha mulher
ela verá este
corpo
duro
e branco
uma vez e
talvez outra
o abanará
«Henri!»
o Henri não
responderá.
Não é a minha morte que
me preocupa, é minha mulher
sozinha com esta
pira de nada
não obstante
eu quero
que ela saiba
que dormir
todas as noites
ao seu lado
e mesmo os mais inábeis
argumentos
foram coisas
sempre esplêndidas
e as palavras
difíceis
que temi sempre
dizer
podem agora ser
ditas:
Amo
te.
Tradução: J.T.Parreira
Confissão
Esperando a morte
como um gato
que irá pular sobre a
cama
Eu sinto muito pela
minha esposa
Ela verá este
corpo
rígido
pálido
Sacuda ele uma vez, então
talvez
de novo:
“Hank!”
Hank não irá
responder.
Não é minha morte que
me preocupa, é deixar
minha esposa com esta
pilha de nada.
Eu quero
que ela saiba
no entanto
que as noites todas
dormindo
perto dela
mesmo os inúteis
argumentos
eram coisas
sempre esplêndidas
e as palavras
duras
que sempre temi
dizer
podem agora ser
ditas:
Eu te
amo.
Tradução: Virna Teixeira

Intenso!
Belas traduções.
Comment by Wagner Miranda — July 29, 2006 @ 6:26 pm
Um belo poema do velho Buck, acrescido de duas traduções magistrais.
Bom estar de volta por aqui, Virna
Comment by Celso — July 31, 2006 @ 12:58 pm
Virna, passei por aqui. “Eu te amo”, com certeza, é uma solução mais adequada à intimidade de um casal, à coloquialidade entre eles.
Comment by Rodrigo Magalhães — August 2, 2006 @ 12:59 pm
celso,
é bom saber que está de volta mesmo, andava sumido. dei uma olhada no seu blog, no algaravaria.
um beijo
Comment by Virna — August 5, 2006 @ 1:22 pm
é verdade, rodrigo. creeley tem um poema chamado ” lover” em que fala das palavras e termina mais ou menos assim:
Não dizê-las
torna abstrato
todo desejo
e por fim sua morte.
um beijo
Comment by Virna — August 5, 2006 @ 1:27 pm
[…] “Eu te amo”, com certeza, é uma solução mais adequada intimidade de um casal, coloquialidade entre eles. Comment by Rodrigo Magalhães — August 2, 2006 @ 12:59 pm. celso, é bom saber que está de volta mesmo, andava sumido. dei uma … Veja o post completo clicando aqui. Post indexado de: http://papelderascunho.net/ […]
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