
Sir Henry Raeburn. Reverend Dr Robert Walker Skating on Duddingston Loch, (1795). © National Gallery of Scotland
Debaixo do gelo
Como Coleridge, eu danço
sobre o gelo. E observo minha sombra
embaixo da água. Sabendo que
se não houvesse o gelo ali
eu afundaria. Em parte desejando isto.
Na minha jaqueta de veludo
e gravata arrumada, eu continuo
retornando ao mesmo ponto.
Quanto tempo, para cortar
um círculo perfeito?
Algo em mim
rejeita a noção.
O arco nunca está completo.
Minhas figuras-de-oito
quase, mas não, se encontram.
Era o padre skatista de Raeburn
um homem de Deus, equilibrado
impecavelmente na margem;
ou seu olhar manso
não mais que um fronte decoroso?
Se eu pudesse manter a frieza
assim. Olhando para a frente,
não para meus pés. Sem
demonstrar saber
a profundidade da água, a finura do gelo.
Atrás desta, a outra
questão: se o verdadeiro você
pirueta no espaço,
ou acena debaixo do gelo
para que eu desça.
Under the ice
Like Coleridge, I waltz
on ice. And watch my shadow
on the water below. Knowing that
if the ice were not there
I’d drown. Half willing it.
In my cord jacket
and neat cravat, I keep
returning to the one spot.
How long, to cut
a perfect circle out?
Something in me
rejects the notion.
The arc is never complete.
My figures-of-eight
almost, not quite, meet.
Was Raeburn’s skating parson
a man of God, poised
impeccably on the brink;
or his bland stare
no more than a decorous front?
If I could keep my cool
like that. Gazing straight ahead,
not at my feet. Giving
no sign of knowing
how deep the water, how thin the ice.
Behind that, the other
question: whether the real you
pirouettes in space,
or beckons from under the ice
for me to come through.
STEWART CONN
Tradução: Virna Teixeira
Stewart Conn nasceu em Glasgow, e entre 2002-2005 foi eleito “Scots Makar” (poeta laureado) da cidade de Edimburgo, Escócia.

Virna, belíssima tradução.Há uma dicção prefeita para a nossa língua, e.g. «gravata arrumada».
Coloca também a questão da dualidade, do alter-ego
no final do poema. Parabéns.
Abraços
João
Comment by J.T.Parreira — July 4, 2006 @ 7:31 am
Virna, você leu esse poema na reunião da confraria, não foi? Bela metáfora, que torna concreto o abstrato e vice-versa. Kiss,
CD
Comment by Claudio Daniel — July 4, 2006 @ 9:30 am
Muito muito bom.
Comment by bruna beber — July 4, 2006 @ 1:56 pm
Queridíssima Virna, antes de tudo um beijo.
Você, cada vez, me surpreende mais e mais..
Seus poemas e traduções, a cada dia, ficam melhores( fantásticos aliás).
Under The Ice é belíssimo. Parabéns!
Estou sempre aqui, calado, lendo seu blog maravilhoso e torcendo por você.
Nessa sua caminhada, não tenha dúvida, um dia chegará a Cecilia Meireles e/ou outros poetas grandes.
Abraços do amigo de sempre
Luiz teixeira
Comment by Luiz Teixeira — July 4, 2006 @ 7:18 pm
isso é magnifico!… foi uma bela descoberta que me deste. QUe bom!
Comment by eiichi — July 5, 2006 @ 10:32 pm
Ei, Virna! Que poeta legal.
Você sempre vem com esses poetas desconhecidos.
Não sei, pode ser ignorância minha, que é fato; mas o mérito de trazê-los a tona é seu, e isso não diminui graças às minhas poucas noções.
2 - Virna, quero muito ver essas plaquetes. Tira uma foto, rs, com máquina digital. Ou peça o arquivo pra pessoa que fez o design, tal tal.
Beijão!
Comment by Ponce — July 6, 2006 @ 11:12 am
claudio,
sim, foi este poema que li. depois lembrei do quadro de raeburn.
um beijo
Comment by Virna — July 8, 2006 @ 11:16 pm
joão,
que bom saber que alçancei um equilíbrio entre a língua portuguesa e a brasileira.
um abraço
Comment by Virna — July 8, 2006 @ 11:17 pm
caro luiz teixeira,
fico muito contente de saber que visita meu blog, que gosta das minhas traduções e que vem aqui como genuinamente como leitor e não como pai.
um beijo
Comment by Virna — July 8, 2006 @ 11:19 pm
thiago,
as fotos já seguiram, tenho certeza que vai gostar do projeto.
beijo
Comment by Virna — July 8, 2006 @ 11:20 pm
belas piruetas/ abs de arrudA
Comment by arrudA — July 26, 2006 @ 8:11 pm