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NO CEMITÉRIO DO ARAÇÁ
_____________ao Rodrigo de Souza Leão, in memoriam

I

Os gatos negros do Cemitério do Araçá
Não se esgueiram entre os túmulos :
São os seus donos verdadeiros,
Delidos os nomes dos enterrados
E sem sentido, no al di là, as
Genealogias das famílias imigrantes.

Fixam-me com os seus olhos luminescentes
E é como se minhas pernas súbito
Pesassem mais: impõe-se-me parar
E render-lhes homenagem
Mas sigo adiante, desgarbosamente.

Do Araçá podemos observar a cidade
Ao longe: prismas resplandecentes
No meio da tarde.
Mas retenho apenas o olhar senhorial
Desses gatos negros.

II

Escuta: será o teu coração
Que se agita quando te sentes visto
-melhor: escrutinizado- por esses
Felinos olhos verdes?
__________________Porque escutas
Um insistente tamborilar
__________________Que sentes
Como se originário de dentro de ti:

Não, não é o teu coração
Que faz este ruído compassado
(vai, caminha, não é a tua hora
ainda)

:

No tronco seco de uma árvore
Em pleno Cemitério do Araçá
______________________Divisas
-presença que resgata o agora-
Um pica-pau em sua labuta
-indiferente a ti, à metrópole,
aos gatos negros-.

Horácio Costa

Os poetas estão de luto pelo Rodrigo de Souza Leão. Há pequenas homenagens e obituários pelos blogs. O Claudio Daniel escreveu um belo texto no Cantar a pele de lontra, o Franklin Alves lembrou no twitter seu último artigo, Mais afeto com os loucos, publicado no JB na semana passada e o Horácio dedicou este poema ao Rodrigo, que chegou por email.

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