27. 04. 2009às 23:20horas.

A regra do jogo, 1939
De vez em quando, timidamente, a indústria cinematográfica mostra um filme “em cores naturais”. Fala-se um pouco a respeito e, nos salões, as pessoas de bom gosto estão de acordo em declarar que aquele filme é perfeitamente infecto.
Daqui a um ano, estas mesmas pessoas já terão visto um pouco mais de filmes em cores e descobrirão certas qualidades neles. Algumas senhoras (as mulheres de elite não estão sempre na vanguarda do progresso?) afirmarão que “não é tão ruim assim”. Depois, um pouco mais tarde, já nem se falará mais a respeito. Todos os filmes serão em cores e, quando se projetar um filme preto e branco, as pessoas se olharão entre si espantadas e com um pouco de desprezo, como quando lhes mostram um vestido “1900″… “Como? Era isso que nos serviam todos os sábados? Envelheceu incrivelmente”.
Será que esta transformação da opinião pública se deverá ao aperfeiçoamento da técnica? Sim, evidentemente, mas será principalmente o resultado de espírito de carneiro do público. O homem se acostuma com tudo e, quando adora um novo ídolo, trata rapidamente de queimar os deuses antigos. (…)
Jean Renoir
A cor no cinema, artigo de 1/1/1936. Em: O passado vivo. Nova Fronteira, 1991. Tradução: Raquel Ramalhete.
20. 04. 2009às 13:09horas.
La Otra Gaceta
Saíram 4 poemas meus com tradução para o espanhol (e breve apresentação) de Jair Cortés na revista eletrônica mexicana La Otra.
19. 04. 2009às 15:38horas.

Novo Ser. Angra dos Reis, 1991. Foto: Ana Regina Nogueira.
Dois poemas de Ismar Tirelli
ANGRA I
teu sono
que eu levo na esportiva
esse brinquedo de me deixar a sós
com o mar
interpretá-lo
como as confusas placas que vão brotando
pela Avenida Brasil
por muito tempo indo
estávamos voltando
SUSPENSÃO
te escrevo do domingo
em que virei balão
(segundo as escrituras
não tem dia melhor)
zarpo da Voluntários
vou subindo ao meio do mundo
em chegando me aboleto
velho banco de praça
esperando a montanha passar
Em: Synchronoscopio. 7 Letras, 2008.
11. 04. 2009às 16:40horas.
Livro como um cartão de visita
Carlos Augusto Lima comenta sobre o gesto de editar poesia, no Caderno 3 do Diário do Nordeste.
10. 04. 2009às 11:41horas.

Hélio Oiticica na frente da Whitechappel Gallery, em 1969
A exposição será a 18 de fevereiro. Queria muito que você estivesse aqui. Será que vai dar pé? Afinal estamos tão perto agora, e aqui tudo é mais fácil. Achei a comida baratíssima em Londres, nunca vi tanto assim. Vamos agora ver os aluguéis. Mas alugarei o mais mixa que houver (…) Fui a um espetáculo onde uma mulher tirou toda a roupa na platéia, e não foi presa, apesar de haver polícia. Depois apareceram o John Lennon e a Yoko Ono que entraram num saco branco, germinante, e lá ficaram muito tempo, fazendo alguns movimentos que refletiam na estrutura por fora. Achei bonito, como um ovo-útero. Gostei também do disco que eles fizeram juntos e onde aparecem inteiramente nus na capa: Torquato comprou-o aqui embaixo na livraria Indica, que é a única a vender o disco tal como foi feito (…) Eu confesso, estou cansado de quebrar pedras - realmente só vou fazer esta exposição como uma nova experiência em si, mas dizer que acredito em arte, exposições, etc. seria negar-me, pois não acredito mesmo - estou farto, dá muito trabalho e a vida é muito curta. Adoro fazer coisas que nem pretendo que sejam nada, mas detesto promovê-las, importar-me aqui, acolá, etc. Não tenho saco pra isso, apesar de sentir certo prazer quando vejo alguém gostar do que fiz, como o Guy ou você, ou Medalla. Creio que realmente só pode gostar ou sentir quem pensar do mesmo modo; o mais é conversa. Estou interessado é em descobrir a marginália londrina (…)
Hélio Oiticica
Carta de Hélio Oiticica para Lygia Clark em 18.12.1968. Em: Lygia Clark - Hélio Oiticica. Cartas 1964-1794. Editora UFRJ, 1998.
05. 04. 2009às 18:26horas.

The more I explore neurosis the more I become aware that it is a modern form of romanticism. It stems from the same source, a hunger for perfection, an obsession with living out what one has imagined, and if it is found to be illusory, a rejection of reality, the power to imagine and not to sustain one’s endurance, and then the creative force turned into destruction.
Many of the romantics destroyed themselves because they could not attain the absolute, in love or creation. They could not attain it because it was invented. It was a myth. The neurotic acts in the same way. He sets himself impossible goals, imaginary goals. He will win the respect and admiration of a parent who is not even alive any more (appealing to his substitutes). He will gain the love of the world by giving the world something it may not want. He will seek union with opposites, perverse contrary relationships with those who turn away. He will seek to conquer the unconquerable. Like the romantic, he is creative, and may apply his power of invention to art, science, history.
Anaïs Nin
The diary of Anaïs Nin. Volume II (1934-1939).
01. 04. 2009às 00:02horas.

“A amizade é regida pelo mesmo mecanismo que o amor, é instantânea e absoluta.”
António Lobo Antunes
“A amizade não se busca, não se sonha, não se deseja; ela exerce-se (é uma virtude)”.
Simone Weil