"até segunda ordem não me risque nada."



31. 12. 2008
às 12:35horas.

FELIZ 2009!!

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ODE

O início? O mesmo fim.
O fim? O mesmo início.

Não há fim nem início. Sem história
o ciclo dos dias
vive-nos.

Orides Fontela

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30. 12. 2008
às 21:19horas.

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Caramujo

Não há anestesia para os edifícios que caem. Para o veneno que o espinho solta no ar em meio aos arbustos. Para uma casa no pulso.

Para a mais íntima cirurgia, que risca o ar e faz soletrar um vôo.
Para o ritmo dos pedais aumentar a velocidade até atingir de novo o ar
e o alcalino das plantas, pedras, magnésia - quanto vai durar -
Para a paisagem colidindo com os dias futuros.
Para o pulmão (azul, laranja, vermelho, cinza) para respirar um novo mundo-
caramujo. Quase recluso.

André Dick

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27. 12. 2008
às 16:19horas.

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example

how i revisited a location from the past, and how this location came to be revised in the present. how the clarity of argument is the remainder of desire. how desire is not subversive, but the remainder. how the body escapes, how this created in me a failure to communicate. how this failure to communicate led me to recognize lovers in the face of strangers. how these faces were mirrors, refractions of events onto the structures around then. how collapse seems inevitable. decay takes on mantles of emotional projection. how i surrender to noise and decay among abstract locations. these locations are history

exemplo

como revisitei um lugar do passado, e como este lugar veio a ser revisado no presente. como a clareza de argumento é o resíduo do desejo. como o desejo não é subversivo, mas o resíduo. como o corpo escapa, como isto criou em mim uma dificuldade de comunicar. como esta dificuldade de comunicar me levou a reconhecer amantes no rosto de estranhos. como estes rostos eram espelhos, refrações de eventos sobre as estruturas em torno deles. como o colapso parece inevitável. decadência assume trajes de projeção emocional. como me rendo ao barulho e decadência entre lugares abstratos. estes lugares são história

E. Tracy Grinnell

Tradução: Virna Teixeira

E. Tracy Grinnell tem vários livros de poesia publicados, vive em Nova Iorque, é responsável pela Litmus Press e edita a revista Aufgabe.

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23. 12. 2008
às 21:10horas.



Charlie Brown - Christmas dance

Um Feliz Natal a todos os leitores deste blog!

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21. 12. 2008
às 17:22horas.

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Blue night. Paul Klee

Sono

Noite inteira. Dançam estrelas na grama.
Recolhem-se à mata e às cavernas as sendas,
o capricórnio não mais fala.
Corujas gris repousam como urnas nos abetos.
Nas trevas sem testemunhas,
calam-se pássaros, sangue, e a terra se cala,
e as aventuras em que eternamente recaímos.
Na brisa restou uma alma somente,
sem passado,
sem presente.
Com ruídos surdos por entre as árvores
levantam-se os séculos mortais.
Em sonho meu sangue como onda
lança-se de mim
de volta a meus pais.

(1929)

Lucian Blaga

Tradução para o romeno de Caetano Waldrigues Galindo

Em: A grande travessia. Editora Unb, coleção poetas do mundo, 2005.

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19. 12. 2008
às 11:51horas.

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(…) Atira-se sobre mim. Mal tenho tempo de pousar a maldita garrafa, com a qual ele não parece preocupar-se.
Esqueceu as atenções habituais e simplesmente me derruba. Estou cansada. O que me resta de força, emprego em reprimir as lágrimas de esgotamento, nem sequer de desgosto. Estou quase indiferente e a custosa vitória de ter trazido Renaud de volta parece-me completamente vazia. Resigno-me à função de executório de bêbado, que me compete; que ele faça, pois, o que quiser. Talvez já não o ame. Meus nervos cedem, por que não chorar, afinal de contas, tanto pior se isso lhe desgosta. Pouco me importa. Ao invés das lágrimas, é o prazer, brutal, vindo não sei de onde. Grito como uma louca. Seguro Renaud de encontro a mim - “Ah! Eu te amo.”
Ele ri.
Não é fácil sofrer em meio ao prazer. Não sei mais onde estou, as ondas interferem.
(…)
- Um dia - disse ele - escreverei um tratado. Vou chamá-lo Do Amor. Isso já existe, mas necessita de sérias correções. Vou chamá-lo Do Amor e serei contra. Demonstrarei que o amor não existe. da seguinte maneira: se retirarmos do amor tudo que lhe é estranho, nada fica. Absolutamente nada.

Christine Rochefort

Best-seller nos anos 60 na França, “O repouso do guerreiro” narra uma relação de co-dependência entre uma mulher e uma alcoólatra. A história foi filmada foi Roger Vadim, com Brigitte Bardot e Robert Hossein nos papéis principais. O livro foi editado no Brasil pela editora panamericana (não encontrei o nome do tradutor).

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13. 12. 2008
às 20:01horas.

ANTIGOS E SOLTOS

Acaba de sair o livro “Antigos e soltos - poemas e prosa da pasta rosa”, após 25 de morte de Ana Cristina César. O material foi preservado pela mãe da poeta, Maria Luiza, e doado pela família ao Instituto Moreira Salles, onde se encontram todos seus originais. Posteriormente, foi catalogado por Manoela Daudt d’Oliveira e reorganizado para a presente edição por Viviana Bosi.

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Litoral

meu amor escapa outra vez pela
fenda calada do verso a voz
fraca sobre a curva naufraga
ondas mornas imóveis
meu amor escapa esta superfície
irrespirável enreda
o vôo o movimento
inverso não mais teus ossos
águas sem sopro onde uma
temporada apenas
neste inferno

***

enquanto canto agora morre meu
desejo morre te consolo com meu corpo
morto

enquanto canto agora vive meu
desenho morre te desejo dentro do meu
corpo

Ana Cristina César

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11. 12. 2008
às 18:06horas.

JEROME ROTHENBERG - LET IT BE ICE


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08. 12. 2008
às 14:34horas.

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Cindy Sherman, Untitled

Não devo amar N e não amo. Não amo em N o que vejo e sinto e sei precioso em F. Mas desejo, insanamente desejo e é uma incompreensão misturada com êxtase, é um descaminho que conscientemente se traça, um despropósito marcado pela finitude da sede dos corpos que prescindem parâmetros para existirem. Não conheço de N essências nem divido com N aquilo que entendo lá por dentro. Mas acordo e penso em ter aquele corpo e passo as horas naquele delírio de ausências e passa-se o dia e é noite de novo adormeço e faço de N o objetivo dos meus sonhos e acordo e penso em ter aquele corpo. Enlouqueço possivelmente. Não é justo olhar F nos olhos. Não é lícito beijar a sua boca - é o mentido, É indecente abraçar F no escuro. Sinto uma impureza se espalhando através de tudo que digo. E não é justo apenas ficar em silêncio. E é claro que não devo amar N e não amo. Mas quero. Perdidamente anseio por aqueles beijos malditos a única possibilidade de sobrevivência.

(…)

Se F dissesse se ordenasse se gritasse Vá embora Vá embora já, eu tentaria fazer as malas mas estariam sempre vazias se F mandasse Vá eu levaria uma dor indescritível e saberia ser o começo da minha própria dissolução. Mas F não diz nada. Terá talvez vivido emoção parecida, obsessão como a minha? A sua será uma alma muito mais nobre que dissimula a compreensão do que acontece? A sua será uma alma fria? Ou benevolente? Sem respostas apenas olho de longe observo e penso quanto amo a integridade de F e desprezo também a minha dissipação.

Luci Collin

O trecho faz parte do conto ? Escaleno, de Acasos pensados, livro de Luci Collin que acaba de ser publicado pela Editora Kafka.

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05. 12. 2008
às 17:15horas.

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Os poetas Ademir Assunção e Antonio Vicente Pietroforte e o desenhista Carlos Carah abordam a relação entre arte e drogas no livro A Musa Chapada, pela editora Demônio Negro, e na exposição Noturno, que serão lançados no próximo dia 8 de dezembro (segunda-feira), a partir das 20 horas, na Coletivo Galeria (Rua dos Pinheiros, 493 – Pinheiros, fone: 3596-3247).

Dividido em quatro sessões, A Musa Chapada traz um conjunto de 40 poemas de Ademir Assunção e Antonio Vicente Seraphim Pietroforte e 10 desenhos de Carlos Carah, todos tematizando a busca de expansão da consciência através das drogas, mas também o lado selvagem e obscuro dos viciados.

“Embora a tradição mais clássica veja a literatura como um local ‘livre de drogas’, diversos movimentos literários incorporaram ou questionaram, do ponto de vista material ou discursivo, a presença de drogas nas suas práticas”, destaca a poeta e médica neurologista Virna Teixeira, no prefácio do livro. E afirma que os autores trazem à tona “personagens de uma São Paulo transformada em uma espécie de HQ, de Matrix, de uma Blade Runner de ruas estranhas e ruínas, onde reina a destruição e a violência, poder, sangue, andróides mutilados, cicatrizes e paisagem crivada de balas do narcotráfico”.

Na exposição Noturno, o desenhista Carlos Carah mostra também uma safra de outros 30 desenhos, com seu estilo peculiar, feitos com nanquim, ecoline, caneta esferográfica, água sanitária e vinho. “Os desenhos de Carlos Carah são assim, não fazem alarde e parecem morar numa casa mal-assombrada, dessas que as crianças freqüentam só pra virar lendas no bairro”, escreveu o dramaturgo Mário Bortolotto. “Carah é a próxima lenda do bairro. Vocês ainda vão ouvir falar muito dele”.

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