"até segunda ordem não me risque nada."



28. 09. 2007
às 22:45horas.

nessie.jpg

Uma leitura do poema “A Canção do Monstro do Lago Ness” pelo Marcelo Sahea, publicada no blog São Som.

The Loch Ness Monster’s Song

Sssnnnwhuffffll?
Hnwhuffl hhnnwfl hnfl hfl?
Gdroblboblhobngbl gbl gl g g g g glbgl.
Drublhaflablhaflubhafgabhaflhafl fl fl -
gm grawwwww grf grawf awfgm graw gm.
Hovoplodok-doplodovok-plovodokot-doplodokosh?
Splgraw fok fok splgrafhatchgabrlgabrl fok splfok!
Zgra kra gka fok!
Grof grawff ghaf?
Gombl mbl bl -
blm plm,
blm plm,
blm plm,
blp.

A Canção do Monstro do Lago Ness

Hhhnnnuuuhffffff?
Hnnhuffl hhnnnfl hnfl hfl?
Glgoblboblhobngbl gbl gl g g g g glogl.
Drablhaflablhaflubhafgabhaflhafl fl fl -
gm grummmmm grf grumf umfgh grum gm.
Bavoplodom-doplodavom-plavodocon-doplodaconh?
Sepgram cof cof sppgranhanchgrablgrabl cof selcof!
Agra crg gra fff!
Gruf graff ghaf?
Gombl mbl bl -
blu plb,
blu plb,
blu plb,
blb.

Edwin Morgan

Tradução: Virna Teixeira

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25. 09. 2007
às 11:21horas.

yeats2-sized.jpg

The fascination of what’s difficult

The fascination of what’s difficult
Has dried the sap out of my veins, and rent
Spontaneous joy and natural content
Out of my heart. There’s something ails our colt
That must, as if it had not holy blood
Nor on Olympus leaped from cloud to cloud,
Shiver under the lash, strain, sweat and jolt
As though it dragged road metal. My curse on plays
That have to be set up in fifty ways,
On the day’s war with every knave and dolt,
Theatre business, management of men.
I swear before the dawn comes round again
I’ll find the stable and pull out the bolt.

O prazer do dificíl

O prazer do difícil tem secado
A seiva em minhas veias. A alegria
Espontânea se foi. O fogo esfria
No coração. Algo mantém cerceado
Meu potro, como se o divino passo
Já não lembrasse o Olimpo, a asa, o espaço
Sob o chicote trêmulo, prostrado,
E carregasse pedras. Diabos levem
As peças de sucesso que se escrevem
Com cinqüentas montagens e cenários,
O mundo de patifes e de otários
E a guerra cotidiana com seu gado,
Afazer de teatro, afã de gente.
Juro que antes que a aurora se apresente
Eu descubro a cancela e abro o cadeado.

William Butler Yeats

Tradução: Augusto de Campos

Em: Poesia da Recusa, Ed. Perspectiva, 2006.

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22. 09. 2007
às 13:22horas.

girafas3.jpg

diário da savana

1

seis da manhã. o jipe avançava na neblina
tons de ocre, marrom e palha
entre arbustos gigantes, amakhalas, cactos
a pele de ébano do tracker
___seu rosto uma máscara africana

de binóculos, alerta

hienas devoravam uma presa, suspensa
entre os dentes, triturar de ossos, predadores
rastros na areia

leões devem andar aqui perto
um leopardo escondido,
__________na sombra

2

era um barco percorrendo o pântano
concerto de silêncio e sons
o borbulhar da água, música das aves
kingfisher, bluebirds, o nado
ondulante das snakebirds,
enguias

garças

3

piquenique, cestas
uma tarde entre antílopes
as corças velozes na estrada, mascotes
_________de artémis
arco e flecha, amazonas

búfalos ruminavam; rinocerontes
wildebeests demarcavam território
quase em círculos, as narinas
_____furiosas

e as zebras desconfiadas__em retirada
entre filhotes

4

girafas. the unconversational animal.
altas e camufladas
cílios longos
mastigavam folhas

as flores pequenas e raras
atrás de espinhos

5

liga amarela e negra nas asas
_________das borboletas

vôo de falcão sobre a planície

gosto de semillon
prolongado
no incêndio do pôr-de-sol

a lembrança de elefantes
lentos, subindo o
vale

Virna Teixeira

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21. 09. 2007
às 11:28horas.

portadabrasil.png

Caos Portátil. Poesía Contemporánea del Brasil
Selección de Camila do Valle y Cecilia Pavón
Traducción de Cecilia Pavón
Edición bilingüe, 272 págs
Ediciones El billar de Lucrecia (México)

Elisa Andrade Buzzo-Bruna Beber-Rod Britto-Sergio Cohn-Bruno Dorigatti-Camila do Valle-Angélica Freitas-Izabela Guerra Leal-Augusto de Guimaraens Cavalcanti-André Monteiro-Elza de Sá Nogueira-Ana Rüsche-Virna Texeira

Sobre Caos Portátil:

“A partir de los autores nacidos en los años setenta, la poesía contemporánea brasileña vuelve a coger las calles y a hacer del texto, de la página en blanco y no en blanco, parte esencial de su situación geográfica y económica. Precursores de un verbo puro, de una cadencia extraña por sus distintos registros y temáticas, desde una realidad que no esconden detrás del biombo de la indiferencia, como la prostitución infantil, la adaptación de la lengua inglesa como recurso, la drogadicción, la tecnología y la homosexualidad, los trece autores que interactúan en este libro nos guiñan desde un Brasil posmoderno, ávido de encuentros y reflexiones sociales, aunque cifrados en la pústula del abandono. Desde un ahora histórico que da muestra no sólo de los triunfos de una sociedad encarnizada con los massmedia, sino también con los seres hipermediatizados que no excluyen su condición inoperante, los poemas de este volumen buscan una salida al nihilismo creado en su entorno: Nietzsche, Internet, jardines imperiales vistos desde una perspectiva crítica y mordaz, pero a su vez, efímera: el héroe que simplemente no puede, pero que crea acciones subversivas de lo que tenga a la mano: canciones, cemento, vidas paleográficas. Caos Portátil. Poesía contemporánea del Brasil hará estallar en el lector no sólo el insumo de una poesía en “aparente” emergencia, sino todo lo contrario, hallará en sus poemas la levadura que permitirá la fermentación de futuras voces en el continente Latinoamericano.” (Rodrigo Castillo)

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20. 09. 2007
às 20:02horas.

Twentieth Century Scottish Poetry

A series of 4 lectures on the general context of twentieth-century Scottish poetry, focusing on poems included in the anthology “Ovelha Negra” (Lumme Editor, 2007) and “Na Estação Central” (Editora UnB, 2006), a selection of poems of Edwin Morgan, presented by the poet and translator Virna Teixeira. Each lecture will involve an introduction to the authors, readings and discussions of the works and the challenges of translating the poems to Portuguese.

October 26th - Hugh MacDiarmid, Norman MacCaig and George Mackay Brown.
November 9th - Edwin Morgan. Ian Hamilton Finlay and Tom Leonard.
November 23th - Douglas Dunn, Stewart Conn, Alastair Reid and Liz Lochhead.
November 30th - Jackie Kay, Dilys Rose and Richard Price.

Sala Cultura Inglesa do Centro Brasileiro Britânico.
(exceto dia 26/10 - salas 2 e 3 do 1° andar)
Rua Ferreira de Araújo 741 3º andar. São Paulo
fone 3095 4466

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19. 09. 2007
às 00:52horas.

flor-11-copy.jpg

MEMÓRIA SELETIVA

Uma torrente qualquer
que nos drague ao subsolo:

as mãos imersas numa solução
de terra, água, pedaços de flores.

Ou então nos escoe
para longe de tudo o que éramos

e nos extravie
entre coisas diversas de flores.

Flávia Rocha

Em: A Casa Azul ao Meio-dia. Travessa dos Editores, 2005.

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16. 09. 2007
às 12:39horas.

ovelhanegra2.jpg

“Ovelha Negra” encontra-se à venda na Lumme Editor e no site da Livraria Cultura.

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14. 09. 2007
às 10:48horas.

Agenda

Esta semana está ocorrendo um ciclo de debates sobre poesia concreta no Instituto Tomie Ohtake.
Ainda em tempo:

14 de setembro - Palavra e imagem: poesia e artes visuais
Horário: 19h30
Conferencista: Kenneth Goldsmith
Debatedores: Lorenzo Mammì, Omar Khouri
Mediador: Lúcio Agra

15 de setembro - O som do poema: da oralização à música
Horário: 16h
Conferencista: Lívio Tragtemberg
Debatedores: Charles Perrone e Artur Nestrovski
Mediador: Carlos Rennó

Instituto Tomie Ohtake
Avenida Brigadeiro Faria Lima, 201
Pinheiros - Zona Oeste - 2245-1900

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13. 09. 2007
às 12:16horas.

sosa_victor.jpg

TUDO ISTO É UM DIZER: UM DÍNAMO
(f.fís. Máquina destinada a transformar
a energia mecânica - movimento - em
energia elétrica - corrente - ou vice-versa
por indução eletromecânica.) Por isso
digo dínamo: é um dizer induzido
o que passa aqui; sim,
a física explica a poesia:
uma contração muscular propensa
a ser registrada graficamente, porque
a poesia tampouco o é. Tudo isto
é um dizer que não dura. Dínamo: diz
te amo mas depura-o no mar de Omã
que limita o oceano índico na Arábia, diz
te quero e pulveriza o templo, empetecando
o luto no mantel de flores onde nem o vinho
faltará quando te encontre, diz sinto tua falta
-diga-o assim, sem baixar muito a voz - e veja
- veja com os olhos da voz - como o céu
a desenha, a fixa numa nuvem fugaz e dissolve
nessa alegre tempestade que estala
quando ela não está.

TODO ESTO ES UN DECIR: UN DÍNAMO
(f.fis. Máquina destinada a transformar
la energía mecánica - movimineto - en
energía elétrica-corriente- o viceversa
por inducción electromecánica.) Por eso
digo dinamo: es un decir inducido
lo que pasa aquí; sí,
la fisica explica la poesía:
una contracción muscular propensa
a ser registrada gráficamente, porque
la poesía tampoco lo es. Todo esto
es un decir que no dura. Dinamo: di
te amo pero tamízalo en el mar de Omán
que linda com el oceano índico en Arábia,
di ti quiero y pulveriza el templo, acicalando
el luto en el mantel de flores donde ni el vino
faltará cuando te encuentred, di te extraño
-dilo así, sin bajar demasiado la voz- y mira
-mira con los ojos de la voz-cómo el cielo
la dibuja, la fija en una nube fugaz y la disuelve
en esa alegre tempestad que estalla
cuando ella no está.

Víctor Sosa

Tradução: Claudio Daniel

Em: Sunnyata, Lumme Editor, 2005

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12. 09. 2007
às 19:16horas.

marc-chagall-cows-over-witebsk-1966-80037.jpg
Marc Chagall, 1966

Existe tempo

Existe um tempo para toda a alegre
E triste melodia;
Existe espaço para todo o pastor nômade
E suas ovelhas.

Existe lugar para todo venerado
E celebrado nome.
Existe a cova que ofertará
Sua força à semente.

Existe a mão que, certo, vencerá
O brilho afiado da faca,
E existe a hora que penará a seca
Nos tóneis cheios.

Existe a marcha de todas as verdades
que se procuram e se almejam.
Reveladas na marcha de dolorosas
E luminosas experiências.

Esther Schumiatcher

Tradução: Paula Beiguelman

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