"até segunda ordem não me risque nada."



28. 02. 2007
às 12:36horas.

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Lançamento de Cadernos de Literatura 7

Participação especial do citarista Alberto Marsicano

7 de março de 2007 a partir das 19h30
Bar Buda
Rua Harmonia, 112, Vila Madalena, São Paulo

Escrito por Virna Teixeira, na categoria eventos | Comentou (1)

28. 02. 2007
às 00:04horas.

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Elm
To Ruth Fainlight

I know the bottom, she says. I know it with my great tap root:
It is what you fear.
I do not fear it: I have been there.

Is it the sea you hear in me,
Its dissatisfactions?
Or the voice of nothing, that was you madness?

Love is a shadow.
How you lie and cry after it.
Listen: these are its hooves: it has gone off, like a horse.

All night I shall gallop thus, impetuously,
Till your head is a stone, your pillow a little turf,
Echoing, echoing.

Or shall I bring you the sound of poisons?
This is rain now, the big hush.
And this is the fruit of it: tin-white, like arsenic.

I have suffered the atrocity of sunsets.
Scorched to the root
My red filaments burn and stand, a hand of wires.

Now I break up in pieces that fly about like clubs.
A wind of such violence
Will tolerate no bystanding: I must shriek.

The moon, also, is merciless: she would drag me
Cruelly, being barren.
Her radiance scathes me. Or perhaps I have caught her.

I let her go. I let her go
Diminished and flat, as after radical surgery.
How your bad dreams possess and endow me.

I am inhabited by a cry.
Nightly it flaps out
Looking, with its hooks, for something to love.

I am terrified by this dark thing
That sleeps in me;
All day I feel its soft, feathery turnings, its malignity.

Clouds pass and disperse.
Are those the faces of love, those pale irretrievables?
Is it for such I agitate my heart?

I am incapable of more knowledge.
What is this, this face
So murderous in its strangle of branches?_

Its snaky acids hiss.
It petrifies the will. These are the isolate, slow faults
That kill, that kill, that kill.

Olmo
Para Ruth Fainlight

Conheço o fundo, diz ela. Conheço-o com minha raiz mestra:
É o que temes.
Não o temo: eu estive lá.

É o mar que ouves em mim,
Suas insatisfações?
Ou a voz do nada, era essa tua loucura?

O amor é uma sombra.
Como mentes e choras em seu encalço
Escuta: são seus cascos: disparou, como cavalo.

Toda a noite devo assim galopar
Até fazer de tua cabeça rocha, de teu travesseiro gramado,
Ecoando, ecoando.

Ou devo te trazer o som dos venenos?
Agora é chuva, este grande silêncio
E seu fruto: branco-metálico, como arsênico.

Sofri a atrocidade dos poentes.
Escorchada até a raiz.
Meus fios rubros queimam e eriçam, mão de arame.

Agora me desfaço em pedaços que voam como tacos.
Vento assim violento
Não tolerará nada ao redor: preciso gritar.

A lua, também, é impiedosa: ela me arrastaria
Cruelmente, já que é estéril.
Sua radiância me corrói. Ou quem sabe a peguei.

Deixo que se vá. Deixo que se vá.
Diminuída e chata, como após cirurgia radical.
Como seus pesadelos me possuem e me dotam.

Sou habitada por um grito.
Quando é noite ele se agita
Procurando, com suas garras, por algo para amar.

Tenho pavor dessa coisa escura
Que dorme em mim;
Todo o dia sinto seu retorcer emplumado, sua índole ruim.

Nuvens passam e se dispersam.
São essas as faces do amor, pálidas irremediáveis?
É por tanto que agito meu coração?

Sou incapaz de saber mais.
O que é isto, esta face
Tão criminosa em seu sufocar de galhos?

Teus ácidos ofídicos silvam.
Petrificam a vontade. São essas falhas lentas, isoladas
Que matam, matam, matam.

Sylvia Plath

Tradução: Marina Della Valle

Escrito por Virna Teixeira, na categoria traduções | Comentaram (2)

26. 02. 2007
às 09:13horas.

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Crow’s First Lesson

God tried to teach Crow how to talk.
‘Love’, said God. ‘Say, love’.
Crow gaped, and the white shark crashed into the sea
And went rolling downwards, discovering its own
depth.

‘No, no’, said God. ‘Say Love. Now try it. LOVE.’
Crow gaped, and a bluefly, a tsetse, a mosquito
Zoomed out and down
To their sundry flesh-pots.

‘A final try’, said God. ‘Now, LOVE’
Crow convulsed, gaped, retched and
Man’s bodiless prodigious head
Bulbed out onto the earth, with swiveling eyes,
Jabbering protest –

And Crow retched again, before God could stop him.
And woman’s vulva dropped over man’s neck and
Tightened.
The two struggled together on the grass.
God struggled to part them, cursed, wept –

Crow flew guiltily off.

A Primeira Lição do Corvo

Deus tentou ensinar o Corvo a falar.
‘Amor’, disse Deus. ‘Diga, amor’.
Corvo gralhou, e o tubarão branco colidiu no mar
E deslizou para baixo, descobrindo sua própria
profundidade.

‘Não, não’, disse Deus. ‘Diga Amor. Agora tente. AMOR.’
Corvo gralhou, e uma varejeira, uma tsé-tsé, um mosquito
Zumbiram para fora e para baixo
Para os seus vários alcouces.

‘Uma última tentativa’, disse Deus. ‘Agora, AMOR’
Corvo gralhou, se contorceu, regurgitou e
A pródiga cabeça sem corpo do homem
Intumesceu-se sobre a terra, com olhos giratórios,
Tagarelando protesto –

E Corvo regurgitou de novo, antes que Deus o impedisse.
E a vulva da mulher caiu sobre o pescoço do homem e
apertou.
Os dois lutaram juntos sobre a relva.
Deus lutou para separá-los, praguejou, chorou –

Corvo fugiu com culpa.

TED HUGHES

Tradução: Virna Teixeira

Escrito por Virna Teixeira, na categoria traduções | Comentaram (4)

25. 02. 2007
às 12:53horas.

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Jacob Phillipp Hackert, 1778

A WERTHER

Bosque coalhado de rocio
Campo tão fresco
À nossa volta
Corpulentas nogueiras dissipando
Mergulham sombra em sombra
Até calar

Thiago Ponce

Em: Imp. (editora Caetés, 2006)

Escrito por Virna Teixeira, na categoria poemas | Sem comentários (0)

18. 02. 2007
às 13:22horas.

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Ismael Nery

ANONIMATO

Uma mulher na varanda
Se debruça sobre o mar
Contempla as gaivotas gêmeas
Espera uma carta de amor

Brilha o cemitério aéreo
As nuvens jogam boxe

Passam meninas cantando

Nao sabem que sou poeta
E o amor que existe em mim

Murilo Mendes

Escrito por Virna Teixeira, na categoria poemas | Comentaram (4)

12. 02. 2007
às 20:24horas.

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© Fundação Pierre Verger

OYÁ
(Iansã)

Menina afogueada fruta verde
virada na ponta do casco
brasa que anima o toque
ventania da savana
fagulha ligeira que esparrama

É parreira alada, é Matamba
folha rebelde de Aruanda

Ana Maria Ramiro

Escrito por Virna Teixeira, na categoria poemas | Comentaram (5)

11. 02. 2007
às 14:03horas.

LANCAMENTO EM FORTALEZA

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A Natércia Pontes organizou uma antologia de 10 blogueiras que nasceram em Fortaleza. O livro tem formato de uma semana de “posts” para cada blog (”papel de rascunho” incluso) e acaba de ser publicado pela editora Hedra.

Escrito por Virna Teixeira, na categoria eventos | Comentaram (4)

09. 02. 2007
às 00:04horas.

LANZALLAMAS

Entre as novidades do site chileno Lanzallamas, poemas de “Distância” traduzidos por Loreto Pizarro.

Escrito por Virna Teixeira, na categoria traduções | Comentaram (2)

05. 02. 2007
às 12:08horas.

ENTRELINHAS

A entrevista comigo e com as poetas Elisa Andrade e Annita Costa Malufe, que foi apresentada no programa Entrelinhas no ano passado será novamente exibida nos dias 7 de fevereiro (quarta, 22h40), com reprise no dia 11 (domingo, 13h) na TV Cultura.

Escrito por Virna Teixeira, na categoria entrevistas | Comentaram (7)

01. 02. 2007
às 10:08horas.

NOVIDADES NA COLUNA PAPEL DE RASCUNHO

Pós-modernidade na rede: texto sobre blogs de poesia no Cronópios.

Escrito por Virna Teixeira, na categoria textos | Comentaram (5)