"até segunda ordem não me risque nada."



30. 07. 2006
às 02:05horas.


Rrose Sélavy. Foto: Man Ray..

“Não atribuo ao artista uma espécie de função social em que ele se acha obrigado a fazer qualquer coisa, em que tenha um dever para com o público. Tenho horror a todas essas considerações”.

Marcel Duchamp

Engenheiro do tempo perdido (entrevista a Pierre Cabane), EDUSP.

Escrito por Virna Teixeira, na categoria citações | Comentaram (10)

28. 07. 2006
às 23:56horas.

CHARLES BUKOWSKI

Um poema, duas versões

Confession

waiting for death
like a cat
that will jump on the
bed

I am so very sorry for
my wife

she will see this
stiff
white
body

shake it once, then
maybe
again:

“Hank!”

Hank won’t
answer.

it’s not my death that
worries me, it’s my wife
left with this
pile of nothing.

I want to
let her know
though
that all the nights
sleeping
beside her

even the useless
arguments
were things
ever splendid

and the hard
words
I ever feared to
say
can now be
said:

I love
you.

Confissão

À espera da morte
como um gato
que vai saltar na
cama

estou muito pesaroso
pela minha mulher

ela verá este
corpo
duro
e branco

uma vez e
talvez outra
o abanará

«Henri!»

o Henri não
responderá.

Não é a minha morte que
me preocupa, é minha mulher
sozinha com esta
pira de nada

não obstante
eu quero
que ela saiba
que dormir
todas as noites
ao seu lado

e mesmo os mais inábeis
argumentos
foram coisas
sempre esplêndidas

e as palavras
difíceis
que temi sempre
dizer
podem agora ser
ditas:

Amo
te.

Tradução: J.T.Parreira

Confissão

Esperando a morte
como um gato
que irá pular sobre a
cama

Eu sinto muito pela
minha esposa

Ela verá este
corpo
rígido
pálido

Sacuda ele uma vez, então
talvez
de novo:

“Hank!”

Hank não irá
responder.

Não é minha morte que
me preocupa, é deixar
minha esposa com esta
pilha de nada.

Eu quero
que ela saiba
no entanto
que as noites todas
dormindo
perto dela

mesmo os inúteis
argumentos
eram coisas
sempre esplêndidas

e as palavras
duras
que sempre temi
dizer
podem agora ser
ditas:

Eu te
amo.

Tradução: Virna Teixeira

Escrito por Virna Teixeira, na categoria traduções | Comentaram (7)

26. 07. 2006
às 13:35horas.

DO RASCUNHO PARA O PAPEL


Projeto gráfico: Francisco dos Santos

6 poetas jovens publicados no “Papel de rascunho”: Israel Azevedo, Daniela Ramos, Thiago Ponce, Angélica Freitas, Carlos Besen e Pablo Araújo.

Lançamento na FLAP em São Paulo, que acontece nos dias 29 e 30 de julho.
Local: Espaço Sátyros I (Pça Roosevelt, 214).

Escrito por Virna Teixeira, na categoria eventos | Comentaram (7)

25. 07. 2006
às 16:40horas.

OBJETO A

Cada vez mais fugidio
O Objeto A. Neste plano, ainda
Visível contra o horizonte.
Os contornos já não fotográficos,
Sujeitos a um olhar desfocado
Ou tremulante. Ainda.
Objeto A fui eu naquela tarde
Chuvosa no roseiral, com a
Maria Nadyr. Quisemos transformar-nos
Em nuvem ou vento. As rosas
Estavam à mão: espinhosas,
Não nos inspiraram. O dia
Conjugava-se inconsciente de que
Seria rememorado quarenta anos depois.
E logo, o silêncio.

II

Ou o barulho. O número do contribuinte
Não esquiva a ficção ruidosa
Da qual descende. Passei pelo revendedor
De rações e lá consumi a minha.
Sob um sol escarninho. A pele
Rizomatizando-se em samambaias.
Os dentes alinhando-se num mudo
Relincho. O Objeto A parece irisar-se
Antes do ponto de sua fissura
Ao final da tarde. Sou parte
Dessa condução, penetro um agora
Que mantém a aura. Ainda.
O teto de madeira, a 5,40 metros,
As vigas musicais, o crepitar
Infinitamente reconfortante
Enquanto durou. Ou durava.
Já não sei qual a conjugação
Adequada.

III

Objeto A: eis-te aqui agora
Sujeito a uma cifra crepuscular.
Nenhum sinal de que não sobrevives
A não ser em mim e pouco. O tangível
Nada envia em sinais.
Não sou o mesmo e já
Não identifico as, sim,
Correspondências.
_________________________Afasta-se
Rumo ao nada o Objeto A?
Perdê-lo para lá do horizonte
Será também perder-me?
Apenas a memória satisfará,
Despida de sentimento e míope?
E sua sobrevivência simples,
À morte já não equivalerá?

Afasta-se o Objeto A.

Horácio Costa, inédito

Escrito por Virna Teixeira, na categoria poemas | Comentaram (2)

17. 07. 2006
às 20:19horas.

Arte é sanidade

As conexões que faço em meu trabalho são conexões que não posso encarar.
São na verdade conexões inconscientes.
O artista tem o privilégio de estar em contato com seu inconsciente, e isso é realmente um dom.
É a definição de sanidade. É a definição de auto-realização.

Louise Bourgeois

Destruição do pai, reconstrução do pai. Editora Cosac & Naïf, 2004.

Escrito por Virna Teixeira, na categoria citações | Comentaram (5)

11. 07. 2006
às 18:33horas.


© Antoni Tapies

Então virá uma noite
desconhecida, uma noite
composta de todas as noites
superpostas, que te fará
retroceder, vazio de imagens,
o olhar, e, uma vez os teus olhos
já se tenham acostumado
à escuridão sem contrário,
verás até mesmo a memória
por mais tempo esquecida enquanto
vais inexistindo, simultâneo,
entre a desordem dos anos.

_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _

O medo que o corpo
não seja o bastante - somente
dias de noite.

_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _

De mim - de tudo -,
somente tenho lembrança.
Não há presente:
a cada instante, o instante
é o passado que está sendo.

Carles Camps Mundó

Tradução do catalão de Ronald Polito.

Da plaquete “instante depois do tempo”, Espectro Editorial, 2006.

Escrito por Virna Teixeira, na categoria traduções | Comentaram (5)

11. 07. 2006
às 18:00horas.

“A FLAP! nasceu em julho de 2005 como uma contra-proposta à FLIP (Festa Literária Internacional de Parati), um evento que o grupo entende como direcionado ao público de classe alta, caro para muitos estudantes (o público paga para entrar em palestras e shows), além de focar em autores de best-sellers e estrelas de televisão; ainda que acabe trazendo escritores e críticos importantes.

Organizada por estudantes do curso de Letras (FFLCH) da Universidade de São Paulo e da Academia de Letras da São Francisco (Direito), a FLAP! 2005 reuniu mais de 300 pessoas no Teatro dos Satyros na Praça Roosevelt e teve divulgação nos principais veículos literários por reunir professores universitários, críticos e os principais escritores do cenário paulista em palestras acaloradas. Agora em 2006 mais estudantes de outros cursos da USP, assim como estudantes de Letras no Rio de Janeiro, colaboram em sua organização”.

Rio de Janeiro: dias 22 e 23 de julho
UniverCidade (Unidade Ipanema)
Av. Epitácio Pessoa, 1664

São Paulo: dias 29 e 30 de julho
Espaço dos Satyros I
Pça. Roosevelt, 214, Centro

FLAP! PROGRAMA

PROGRAMAÇÃO RIO DE JANEIRO (dia 22)

10h: Arena Livre – Onde Estamos?

Mesa:
-Thiago Ponce
Poeta
- Antonio Vicente Pietroforte
Prof. da Lingüística, FFLCH-USP
- Marcus Alexandre Motta
Prof. de Literatura Portuguesa e Artes, UERJ
- Virna Teixeira
Poeta
- André Gardel (a confirmar)
Poeta. Prof. de Lit. Brasileira e Portuguesa na UniverCidade

12h Periferias?

Mesa:
-Pedro Tostes
Escritor, Poesia Moloque(i)rista
Conferência:
Cultura Contemporânea: Redefinição do Centro e da Periferia
Affonso Romano de Sant’Anna
Escritor e Crítico Literário

15:30h Gestão de Políticas Culturais

Mesa: Raphael Vidal
Revista Bagatelas
- Jorge Rocha
Escritor e Jornalista
- Anna Paula Martins
Editora, Dantes
- Arnaldo Niskier (a confimar)
Jornalista, educador, administrador
- Carlos Machado (a confimar)
Curadoria, CCBB

PROGRAMAÇÃO RIO DE JANEIRO (dia 23)

12h “…malditosneobarrocoslanguage
marginaisneoconcretosmalarmaicos
drummondanosdiluidores…”

Mesa: Priscila Andrade
Poeta
- Marcelo Diniz (a confirmar)
Poeta e Professor
- Afonso Henriques Neto
Poeta
- Sérgio Cohn
Poeta, Editor da Azougue Editorial
- Chacal
Poeta
- Leila Míccolis (a confirmar)
Escritora de livros, cinema, teatro e TV. Co-editora de Blocos Online

15:30h Arena Livre – Para Onde Vamos?

Mesa: Marcelino Freire
Escritor
- Claudia Roquette-Pinto
Poeta
- Maria Rezende
Poeta
- Fabio Aristimunho Vargas
Poeta
- Francisco Bosco
Ensaísta
- Paloma Vidal (a confirmar)
Poeta

PROGRAMAÇÃO SÃO PAULO (dia 29)

10h: Arena Livre – Onde Estamos?

Mesa: Eduardo Lacerda
Poeta, Editor do O Casulo
- José Antonio Pasta Jr.
Prof. de Lit. Brasileira, FFLCH-USP
- Frederico Barbosa
Poeta e Diretor da Casa das Rosas
- Manuel da Costa Pinto
Crítico Literário
- Xico Sá
Escritor
- Tarso de Melo
Poeta

12h Periferias?

Mesa: Allan da Rosa
Poeta, Edições Toró
- André du Rap (a confirmar)
Rapper e escritor
- Bruno Zeni
Escritor e crítico literário
- Ferréz
Escritor
- Sérgio Vaz
Escritor
- Sérgio Bianchi
Cineasta


15:30h Gestão de Políticas Culturais

Mesa: Victor del Franco
Poeta
- Donny Correia
Poeta, Coordenador Cultura, Casa das Rosas
- Carlos Augusto Machado Calil (a confirmar)
Secretário Municipal de Cultura (SP)
Prof. Audiovisual ECA-USP
- Maria Silvia Betti
Depto. Letras Modernas, FFLCH-USP
- Ademir Assunção
Poeta
- Soninha Francine
Vereadora

PROGRAMAÇÃO SÃO PAULO (dia 30)

12h “…malditosneobarrocoslanguage
marginaisneoconcretosmalarmaicos
drummondanosdiluidores…”

Mesa: Marcelo Rezende
Jornalista e Escritor
- Paulo Ferraz
Poeta
- Luiz Ruffato
Escritor
- Claudio Willer
Poeta
- Cláudio Daniel
Poeta, Editor da Zunái

15:30h Arena Livre – Para Onde Vamos?

Mesa: Daniela Oswald Ramos
Poeta
- Ivan Marques
Jornalista, Editor do Entrelinhas, TV Cultura
- Andréa Catropa
Poeta, crítica literária, editora do O Casulo
- Nelson de Oliveira
Escritor
- Dirceu Villa
Poeta

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08. 07. 2006
às 11:57horas.

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03. 07. 2006
às 21:50horas.


Sir Henry Raeburn. Reverend Dr Robert Walker Skating on Duddingston Loch, (1795). © National Gallery of Scotland

Debaixo do gelo

Como Coleridge, eu danço
sobre o gelo. E observo minha sombra
embaixo da água. Sabendo que
se não houvesse o gelo ali
eu afundaria. Em parte desejando isto.

Na minha jaqueta de veludo
e gravata arrumada, eu continuo
retornando ao mesmo ponto.
Quanto tempo, para cortar
um círculo perfeito?

Algo em mim
rejeita a noção.
O arco nunca está completo.
Minhas figuras-de-oito
quase, mas não, se encontram.

Era o padre skatista de Raeburn
um homem de Deus, equilibrado
impecavelmente na margem;
ou seu olhar manso
não mais que um fronte decoroso?

Se eu pudesse manter a frieza
assim. Olhando para a frente,
não para meus pés. Sem
demonstrar saber
a profundidade da água, a finura do gelo.
Atrás desta, a outra
questão: se o verdadeiro você
pirueta no espaço,
ou acena debaixo do gelo
para que eu desça.

Under the ice

Like Coleridge, I waltz
on ice. And watch my shadow
on the water below. Knowing that
if the ice were not there
I’d drown. Half willing it.

In my cord jacket
and neat cravat, I keep
returning to the one spot.
How long, to cut
a perfect circle out?
Something in me
rejects the notion.

The arc is never complete.
My figures-of-eight
almost, not quite, meet.

Was Raeburn’s skating parson
a man of God, poised
impeccably on the brink;
or his bland stare
no more than a decorous front?

If I could keep my cool
like that. Gazing straight ahead,
not at my feet. Giving
no sign of knowing
how deep the water, how thin the ice.

Behind that, the other
question: whether the real you
pirouettes in space,
or beckons from under the ice
for me to come through.

STEWART CONN

Tradução: Virna Teixeira

Stewart Conn nasceu em Glasgow, e entre 2002-2005 foi eleito “Scots Makar” (poeta laureado) da cidade de Edimburgo, Escócia.

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01. 07. 2006
às 16:50horas.

CONGRESSO DA ABEH

O III Congresso da Associação Brasileira de Estudos da Homocultura acontece de 5 a 7 de julho, em Belo Horizonte, na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, no Campus Pampulha da UFMG. O tema geral, este ano, é “Discursos da diversidade sexual: lugares, saberes, linguagens”.

Participo dia 5 de julho as 15h30 da mesa:

HOMOEROTISMO E POESIA MODERNA: sobre auto-censura, censura literária e a formação de genealogias da palavra poética homoerótica na modernidade (Escócia, Espanha, Brasil)

Coordenador: Horácio Costa (FFLCH-USP)

Virna Teixeira: A poesia amorosa de Edwin Morgan

Danubio Torres Fierro: Tres Voces Españolas: Cernuda, Gil-Albert Y Gil De Biedma.

Emerson da Cruz Inácio: Da obliqüidade das minhas sensações: a estética pederástica do modernismo português.

Horácio Costa: PARA FORA DO ARMÁRIO, MÁRIO! -uma leitura homoerótica de “Girassol da Madrugada” de Mário de Andrade.

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