30. 06. 2006
às 11:45horas.
"até segunda ordem não me risque nada."
Ricardo Aleixo em São Paulo
O poeta e artista plástico Ricardo Aleixo está em São Paulo para 2 eventos. Um é a estréia do espetáculo “Um caminho”, escrito por Aleixo que também é responsável pela trilha sonora. Um caminho tem como principal característica a íntima relação que se estabelece entre a corpografia do solista, o texto-som e a luz-cenário. Trata-se de um programa duplo, aberto por um solo de Rui Moreira, Receita, que tem coreografia assinada por Henrique Rodovalho. Horário: de quinta a sábado, 20h; domingo, 19h. Endereço: Av. São João, 473 - Centro. Entrada franca.
E dia 02 de julho (domingo), às 15h, Ricardo Aleixo estará na Casa das Rosas para uma palestra-performance sobre o tema “Palavra falante: o poeta como designer (sonoro) da linguagem”.
Escritoras Suicidas na Casa das Rosas
No dia 12 de julho dez autoras participantes do projeto Escritoras Suicidas estarão se apresentando na Casa das Rosas, a partir das 19h30. As poetas e escritoras Andrea Del Fuego, Jane Sprenger Bodnar, Jussara Salazar, Mara Coradello, Marília Kubota, Mariza Lourenço, Ro Druhens, Silvana Guimarães, Valéria Tarelho e Virna Teixeira vão ler textos que refletem a condição feminina na literatura.
No ar desde outubro, atualizado com um tema a cada mês, o site Escritoras Suicidas, vem divulgando a produção representativa de novas e novíssimas autoras, que começaram a produzir a partir dos anos 90 e 00. São mais de 30 colaboradoras fixas, além de convidadas.
O nome Escritoras Suicidas não presta reverencia a Virgínia Woolf ou Ana Cristina César, como se poderia supor, mas faz parte de uma estratégia para fazer com que o estereótipo que se cola à literatura feminina, o da escrita confessional, passional e voltada ao umbigo se auto-extermine. Um site só de mulheres, uma ironia ao estigma que impuseram à “literatura feminina” = drama + depressão + suicídio, explica Silvana Guimarães, editora do site.
Os textos das autoras sangram o clichê de que escrita de mulher é sinônimo de fragilidade de espírito ou de idéias. Há pouco tempo um editor de um site afirmou — em resenha do livro 25 Mulheres que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira, organizado por Luiz Ruffato — que uma antologia só de mulheres despertava nele a vontade de encontrar uma mulher fisicamente estimulante e fatal entre as autoras. O mesmo sujeito usou de analogias torpes e jogo de palavras batido, cometendo imprudências, como comparar algumas de nossas escritas com costura, diz Mara Coradello, também editora.
Causar o harakiri de preconceitos é tão objetivo que as editoras propuseram uma inversão lúdica : convidaram homens que se dispusessem a escrever tão bem como mulheres, contrariando o chavão de que autora de talento escreve como homem. Incógnitos, muitos autores têm perseguido o êxito e sucesso de Nelson Rodrigues, que escreveu sete livros de sucesso sob pseudônimos femininos.
As Suicidas pretendem fazer com que as mistificações literárias em torno da escrita de mulheres morram de vergonha em outras capitais do país, durante este e o próximo ano. Estão organizando eventos que podem incluir as cidades do Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte e outras. E em 2007 deve ser publicada uma antologia que abranja a diversidade desta safra de deusas do vento, ou como se diz em japonês, kamikazes.
Marília Kubota
Marília Kubota mora em Curitiba, é jornalista, poeta e prosadora. Escreve no Micropolis (http://micropolis.blogspot.com/).

Foto - Eduardo Jorge
netuno
colosso divindade
hidra maré
nas submersas correntes
borbulhos e ondas
uma piscina plástica
algazarra
quanta batalha naval
revolvendo
abatidos indefesos
alguns
mergulhados no silêncio lago
Carlos Augusto Lima
Uma entrevista de Carlos Augusto Lima no Tropico

Foto: Juliana Louro
SENSAÇÃO
Vejo cantar o pássaro
toco este canto com meus nervos
seu gosto de mel. Sua forma
gerando-se da ave
como aroma.
Vejo cantar o pássaro e através
da percepção mais densa
ouço abrir-se a distância
como rosa
em silêncio.
NOITE
Esconder (esquecer)
a face
soterrar (ocultar)
a luz
escurecer o
amor
dormir.
Aguardar o que nasce.
Orides Fontela
(Poesia Reunida 1969-1996, Cosan Naif, 2006)
Literatura Infanto-Juvenil
Lançamento em SP do livro “Dias Incríveis”, de Tereza Yamashita e Luiz Brás.
Local: Saraiva megastore (shopping Morumbi)
Sábado, dia 17, às 15h30.
Novidades
Entrevista-relampago no blog do Marcelo Ariel, Teatro Fantasma.
DO AMOR

Composição em Vermelho, Arcangelo Ianelli
IX
Leva-me a um lugar onde a paisagem
Se pareça àquela das visões da mente.
Que seja verde o rio, claro o poente
Que seja longa e leve a minha viagem.
Leva-me sem ódio e sem amor
Despojada de tudo que não seja
Eu mesma. Morna estrutura sem cor
A minha vida. E sem velada beleza.
Leva-me e deixa-me só. Na singeleza
De apenas existir, sem vida extrema.
E que no escuro claustro do poema
Eu encontre afinal minha certeza.
XLIX
Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.
Hilda Hilst
(Do amor, Massao Ohno Editor, 1999)