30. 05. 2006
às 13:08horas.
O índio não é o que olha para você
no catálogo de turismo,
carregando volumes
ou levando comida à mesa.
Também não é o que vê da janela
e pede moedas fazendo malabarismos,
nem é o que fala uma outra língua
e resiste aos frios noturnos.
Não, o índio está dentro,
e se às vezes ele sai, aceite-o,
ainda que o enterre em sobrenomes,
ainda que o socave bem
e negue sua marca de infância,
aí está, aceite-o.
E se aparece esta água rançosa,
voraz, a aguardente que inflama,
ja verá que se lhe sai,
o índio empurra com sua força de séculos,
emerge ardoroso e se lhe sai,
com o guardado,
com o que dura doendo.
Não, não é outro,
o índio sou eu
veja, repita comigo
El indio no es el que mira usted
en el catálogo de turismo,
cargando bultos
o llevándole comida a la mesa.
Tampoco el que ve desde la ventanilla
y pide monedas haciendo malabares,
ni el que habla una lengua muy otra
y resiste fríos nocturnos.
No, el indio está adentro,
y a veces se le sale, acéptelo,
aunque lo entierre en apellidos,
aunque lo socave bien
y niegue su manchita de infancia,
ahí está, acéptelo.
Y si aparece esa agua rancia,
voraz, el aguardiente que inflama,
ya verá que se le sale,
el indio empuja con su fuerza de siglos,
emerge ardoroso y se le sale,
con lo guardado,
con lo que dura doliendo.
No, no es otro,
el indio soy yo,
a ver, repita conmigo
Allan Mills
Tradução: Virna Teixeira
Allan Mills nasceu na Guatemala em 1979. Amanhã estará na Cidade do México para o lançamento do seu livro “Poemas sensibles” (20h na Hostería La Bota, Casa Vecina - Mesones núm. 7, col. Centro).

