30. 03. 2006
às 11:39horas.
"até segunda ordem não me risque nada."

Ilha de Rousay, © Virna Teixeira
Poet
At night, when I cannot sleep,
I count the islands
And I sigh when I come to Rousay
- My dear black sheep.
Ian Hamilton Finlay
Poeta
À noite, quando não consigo dormir,
Eu conto as ilhas
E suspiro quando chego em Rousay
— Minha querida ovelha negra.
Tradução: Virna Teixeira
(Em: Poetas da Escócia, Inimigo Rumor 16, 2004)
“Maker of boats” (Edwin Morgan)
Ian Hamilton Finlay: um espécie de ‘bad boy’ das letras escocesas, um rebelde gentil e bem humorado, que idealizou a marcha “Dishonoured Shade” (uma resposta à antologia conservadora “Honoured Shade”) contra os cânones da poesia escocesa nas ruas de Glasgow. Um excêntrico que viveu nos anos 50 na pequena ilha de Rousay, no arquipélago de Orney, ao norte da Escócia. Um “fazedor de barcos”. O criador da revista Poor.Old.Tired.Horse., (1961-1967), título retirado de um poema de Robert Creeley, que escreveu o prefácio do seu primeiro livro de poesia, o controverso “The dancers inherit the party”, onde utilizou dialetos das classes operárias de Glasgow. O editor da Wild Hawthorn Press, que publicou livros e pôsteres de poetas como Lorine Niedecker, Augusto de Campos e Victor Vasarely. Um avant-gardener, segundo ele mesmo se definiu.
Ian Hamilton Finlay escreveu poesia concreta até 1967 e depois recolheu-se no seu jardim Little Sparta, onde viveu quase 30 anos dedicando-se à jardinagem, poesia, filosofia e artes plásticas. Finlay foi ainda um contador de estórias, e escreveu contos para crianças.

Ian Hamilton Finlay, © Tate Gallery
Ian Hamilton Finlay faleceu nesta segunda-feira em Edimburgo, aos 80 anos. Artista, poeta, filósofo e ‘avant-gardener’, Finlay foi o maior representante do Concretismo na Escócia. Vivia no seu jardim Little Sparta. Segundo seu obituário, “he will be best remembered for combining his love of poetry and gardening“.
FRATES MINORES
With minds still hovering above their testicles
Certain poets here and in France
Still sigh over established and natural fact
Long since fully discussed by Ovid.
They howl. They complain in delicate and exhausted metres
That the twitching of three abdominal nerves
Is incapable of producing a lasting Nirvana.
FRATES MINORES
Com mentes ainda pairando sobre seus testículos
Certos poetas aqui e na França
Ainda suspiram sobre o fato estabelecido
Há muito esgotado por Ovídio.
Eles uivam. Queixam-se em metros delicados e exaustos.
Que o espasmo de três nervos abdominais
É incapaz de produzir um Nirvana duradouro.
Ezra Pound
Tradução: Virna Teixeira
AFRICANISMOS
O início de uma nova aventura com o Claudio Daniel e a Ana Rüsche. Poesia, literatura, música, fauna e flora africanas no blog Olokum, que já está on line.
Ian Hamilton Finlay no seu jardim Little Sparta
O REGADOR DE LITTLE SPARTA
Para a Virna
A brancura
do regador goteja
pérolas
sobre
os lados solares
da rosa –
depois
a tranquilidade branca
do regador
desce
para as miríades
de seixos,
o chão
mudando de cores.
ROBERTO JUARROZ
(Argentina - 1925/1995)
El amor empieza cuando se rompen los dedos
y se dan vuelta las solapas(1) del traje,
cuando ya no hace falta pero tampoco sobra
la vejez de mirarse,
cuando la torre de los recuerdos, baja o alta,
se agacha hasta la sangre.
El amor empieza cuando Dios termina
y cuando el hombre cae,
mientras las cosas, demasiado eternas,
comienzan a gastarse,
y los signos, las bocas y los signos,
se muerden mutuamente en cualquier parte.
El amor empieza
cuando la luz se agrieta como un muerto disfrazado
sobre la soledad irremediable.
Porque el amor es simplesmente eso:
la forma del comienzo
tercamente escondida
detrás de los finales.
(O amor começa quando se rompem os dedos e a lapela dá voltas, quando já não faz falta mas tampouco sobra
a velhice de olhar-se, quando a torre das recordações, baixa ou alta, se abaixa até o sangue.
O amor começa quando Deus termina e quando o homem cai,
enquanto as coisas, demasiado eternas, começam a se gastar, e os signos, as bocas e os signos, mordem-se mutuamente em qualquer parte.
O amor começa quando a luz penetra como um morto disfarçado sobre a solidão irremediável.
Porque o amor é simplesmente isso: a forma do começo escondida obstinadamente atrás dos finais.)
NT: (1) solapas também significa “orelhas” do livro
Tradução de Ana Maria Ramiro
SARAU Artes Plásticas e Literatura
Venha e participe com sua arte!
domingo
26 de março
das 17 às 21 horas
Músico convidado: Mauricio Baraças
Comentários História da Arte: Dani Nastari
Exposição: Novos Artistas
Alexandre Bernardo
André Lima
Carlos Viera
Paulo Castro
Entrada franca
Rato de Livraria
Rua do Paraíso, 790
3266-4476
a fruta na mesa cansa os olhos até apodrecer
tira a fruta
a mesa cansa os olhos
tira a mesa
a cadeira
a casa
feche a ajanela
mude a paisagem
mas tudo cansa
tire os olhos
_________________________
fênix
nó
sem fio
que puxar
e sair do labirinto
ao morrer
é o próprio ovo
solitária feito um sol
no seu fogo
infenso ao toque
os peixes do verbo
Moacir Amâncio
Do objeto útil, Iluminuras, 1992