"até segunda ordem não me risque nada."



31. 12. 2005
às 15:47horas.

FINAL DE ANO

Acabo de receber a revista Coyote número 13, com muitas novidades, uma entrevista inédita com Paulo Leminski, poetas beduínos árabes, prosa de Silvana Guimarães, entre outras. Nos destaques, traduções minhas de poemas de Edwin Morgan, com texto introdutório sobre o poeta escocês.

Feliz 2006.

Escrito por Virna Teixeira, na categoria diversos entrevistas | Comentaram (2)

28. 12. 2005
às 17:01horas.

Novidades

A Bruna Beber publicou meu poema Landscape na revista literária Cortiça e também gravei o primeiro podcast, na rota dos “poetas com deadline”: e o post de hoje do Roberto Romano Taddei no poetar é em formato pdf, com fotos.

Escrito por Virna Teixeira, na categoria diversos | Comentaram (8)

28. 12. 2005
às 12:18horas.

(René Magritte)

cada poro — livro ancestral — do núcleo à superfície do planeta lê contra nossos globos oculares.

continentes, girassóis, oceanos e iguanas trabalham a sinfonia de magmas abissais, objetos desconhecidos arremessados por um remoto navegador, do qual nunca saberemos o nome.

então jogos e armadilhas lacrimais: circunavegação abrupta orquestrasse falcão, falésia, vermelho, púbis enquanto o imenso eixo das estações e cidades — repaginado céu a céu — não saberá da tintura de silício sob a pele como último esquecimento proposital.

há muito a mesma partitura ao golpe dos séculos e cópulas, sem naipe nenhum da primeira tempestade — clave de cromossomos — que se abriu e fecha entre nossas embarcações.

:
silêncio absoluto na órbita fiel a todos os pontos cardeais.

Pablo Araujo

Escrito por Virna Teixeira, na categoria poemas | Comentaram (6)

26. 12. 2005
às 11:10horas.

Presentes de Natal

Dia 24 recebi dois presentes natalinos pelo correio: a plaquete “Ninguém” com 4 poemas meus sobre o trabalho de Leonilson, com projeto gráfico do Eduardo Jorge, publicada pelo Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.
D’além mar, chegou o livro recém-lançado em Portugal de Luís Brito Pedroso, Poema Seis.

Escrito por Virna Teixeira, na categoria diversos | Comentaram (8)

25. 12. 2005
às 13:26horas.

MAGNÓLIA

Quando eu acordar nevará
e no deserto crescerá uma flor impossível
Estrelas morrendo longe ou perto

Uma flor impossível
é um gesto exacto e perfeito
Como a vontade de uma pétala indefesa
face às vontades do olhar

Nero queimou os olhos à cidade
mas não impediu
que uma flor impossível nascesse da gravilha quente

Ouve-se um canto
Ouço a ponta dos meus dedos crepitando
como estrelas existindo longe.

Luís Brito Pedroso

Escrito por Virna Teixeira, na categoria poemas | Comentaram (2)

23. 12. 2005
às 11:58horas.

Uma seleção de poemas meus, publicados e inéditos, na última edição do ano da Revista Germina.

Boas Festas para todos,

Virna

Escrito por Virna Teixeira, na categoria diversos | Comentaram (2)

22. 12. 2005
às 08:34horas.

Ainda

____perfume afiando o exceto
sopro esboçada
na janela
a bela moça e cheia
de cintilantes em dias
que não passassem
tons de plumas
______carregadas
por sons
escrevessem da areia
as curvas mais
_______velozes
letras mais
capazes
daquelas tranças
sequer rugas
gestos
portas sequer
fibras de ressentimento
__________ fechassem

Thiago Ponce de Moraes

Escrito por Virna Teixeira, na categoria poemas | Comentaram (6)

21. 12. 2005
às 12:07horas.

CRANBERRY STREET

Folhas sobre
asfalto, antes relva.

Colho, uma
apenas

página de livro,
onde repousa.

Virna Teixeira

(Visita, ed. 7 Letras, 2000)

Escrito por Virna Teixeira, na categoria poemas | Comentaram (4)

21. 12. 2005
às 11:57horas.

LANÇAMENTO - 150 ANOS DAS FOLHAS DE RELVA

FOLHAS DE RELVA
Walt Whitman

Tradução e posfácio: Rodrigo Garcia Lopes

“Quem toca este livro, toca uma vida. No aniversário de 150 anos da primeira edição de Leaves of Grass (Folhas de Relva), de Walt Whitman (1819-1892), a editora Iluminuras publica, em edição bilíngüe, pela primeira vez no Brasil, a tradução integral desse clássico da literatura de todos os tempos. Whitman e seu livro, que se fundiram num mesmo projeto de vida e de linguagem, alteraram os rumos da poesia moderna como uma onda gigantesca cujos impactos podem ser sentidos até hoje. Whitman afetou a sensibilidade e a obra de várias gerações de escritores e artistas, de Isadora Duncan a Borges, de Maiakovski a Ginsberg. Como relva, para usarmos sua imagem-matriz, o livro cresceu organicamente, sofrendo um processo de expansão, remanejamento e revisão ao longo de nove edições. Embora Whitman certamente tenha escrito poemas memoráveis depois de 1855, o impacto da primeira edição e sua originalidade de concepção são únicos. O crítico Ivan Marki é um dos que defendem que, embora as edições subseqüentes de Leaves of Grass tenham feito o livro ganhar em variedade e complexidade, “a voz distinta de Whitman nunca foi tão forte, sua visão tão clara e seu design tão firme quanto nos doze poemas da primeira edição”. Escrito num período de formação da consciência e da nação norte-americana, de otimismo nacionalista, expansão geográfica, utopias, pioneirismo, crescimento econômico e tensões sociais, Whitman criou uma poética revolucionária, fundada numa radical experiência de “agoridade”. Como escreveu Whitman no fundamental prefácio de 1855: “O julgamento direto de quem seria o maior dos poetas é o hoje”. Se Whitman reinventa tradições e re-elabora formulações básicas do Romantismo, suas descobertas em 1855 prenunciam e antecipam os principais procedimentos e preocupações do Modernismo e das vanguardas do século 20. Entre eles, o impulso a uma poesia demótica (de linguagem ampla e variada, de uso comum, que tudo absorve e nada rejeita); o poema longo em verso livre como “obra-em-progresso”. Uma nova concepção de poesia e de poema. De outro lado, experimentos com diferentes estados de percepção, automatismo psíquico, livre associação de idéias, “simultaneísmo”. Retorno às culturas ancestrais, aproximação com religiões e filosofias orientais, além da preocupação com uma nova ecologia do ser humano. Ênfase na oralidade e materialidade das palavras. Ruptura com os decoros poéticos tradicionais. Verdadeiro grito de independência da poesia americana, a originalidade de Folhas de Relva também estava em sua demonstração prática das possibilidades de uma nova pessoa e de uma nova poesia: um novo modo de ver, sentir e estar no mundo. Mas se as experiências que o livro colocava em circulação eram acessíveis a qualquer um, o poema de abertura advertia que essas “folhas de relva” eram, no máximo, um guia para esta conquista. Não valeria nada se leitor não as conquistasse, primeiro, dentro de si mesmo. Seu “grito bárbaro sobre os telhados do mundo” ainda merece ser ouvido, 150 anos depois. “

Escrito por Virna Teixeira, na categoria textos | Comentaram (2)

21. 12. 2005
às 11:50horas.

Acredito em você, minha alma… o outro que sou não tem que se rebaixar pra você,
E nem você tem que se rebaixar pro outro.
Vadie na relva comigo… solte o nó da garganta,
Nada de palavras música rima alguma… nem bons-costumes ou sermões, nem mesmo os melhores,
Só quero sua calma, o zunzum de sua voz valvulada.
Lembro da gente deitado em junho, numa transparente manhã de verão ;
Você pousou sua cabeça em meus quadris e delicadamente veio pra cima de mim,
E desabotoou a camisa do meu peito, e mergulhou sua língua no meu coração nu,
E estendeu a mão até tocar minha barba, depois até tocar meus pés.
De repente se ergueram e grassaram à minha volta a paz e a sabedoria que superam toda arte e argumento desta terra ;
E sei que a mão de Deus é minha irmã primeva,
E sei que o espírito de Deus é meu irmão primevo,
E que todos os homens que já nasceram até hoje são meus irmãos… e todas as mulheres minhas irmãs e amantes,
E que o amor é a quilha da criação ;
E infinitas são as folhas tensas ou pensas pelos campos,
E as formigas marrons nas poças sob elas,
E a sebe cheia de ervas de musgos, pilha de pedras, sabugueiro, verbasco e erva-dos-cancros.

I believe in you my soul… the other I am must not abase itself to you,
And you must not be abased to the other.
Loafe with me on the grass… loose the stop from your throat,
Not words, not music or rhyme I want… not custom or lecture, not even the best,
Only the lull I like, the hum of your valvèd voice.
I mind how we lay in June, such a transparent summer morning;
You settled your head athwart my hips and gently turned over upon me,
And parted the shirt from my bosom-bone, and plunged your tongue to my barestrip heart,
And reached till you felt my beard, and reached till you held my feet.
Swiftly arose and spread around me the peace and joy and knowledge that pass all the art and argument of the earth;
And I know that the hand of God is the elderhand of my own,
And I know that the spirit of God is the eldest brother of my own,
And that all the men ever born are also my brothers… and the women my sisters and lovers,
And that a kelson of the creation is love;
And limitless are leaves stiff or drooping in the fields,
And brown ants in the little wells beneath them,
And mossy scabs of the wormfence, heaped stones, and elder and mullen and pokeweed.

WALT WHITMAN

Tradução: Rodrigo Garcia Lopes

Escrito por Virna Teixeira, na categoria traduções | Sem comentários (0)