"até segunda ordem não me risque nada."



29. 11. 2005
às 16:32horas.

VENDO OUTRA ARMAÇÃO DE BICICLETA NO LADO SUL DE EDIMBURGO

Cadeados algemam campeões inválidos
para as grades em cada rua por aqui
Armações armadas abandonadas pelos donos
Sufragistas sofrendo perdas de ideais de rodas
Seus números inflam todo dia
Estes aparatos desfigurados
Sobre as grades de avisos negras
São prometéicos bodes expiatórios
Efígies de liberdade britânica enferrujada
Grotescas amarras seus trismos de correntes
Caretas crucifixos desparafusados e largados
Cultivam barbas de relva e monitoram cocô de cães
Os tristes cavalos de metal não têm pasto de abate
Em algum lugar a riqueza é pedalada
ou Frankensteins baratos consertados
com porcas através de pescoços cortados
(os selins seguem rápidos também)
Para sustentar o rabo de Mercúrio?
Nós alvos móveis fazemos esporte
Com nossas manchas de metal
Em uma cidade de burguês poder de panturrilhas
As ciclovias psicopáticas com velocidade
A metáfora parece simples e clara
Lubrifiquem estas correntes/movam-se///fiquem livres

ON SEEING ANOTHER BICYCLE FRAME IN THE EDINBURGH SOUTHSIDE

U-locks manacle crippled champions
To the railings on every street round here
Framed frames owners abandoned
Suffragettes suffering loss of wheels ideals
Their numbers swell daily
These disfigured apparatuses
On the black warning railings
Are promethean scapegoats
Effigies of rusting British freedom
Bondage grotesques their lockjaw chains
Grimaces crucifixes unscrewed and left
They grow grass beards and monitor dog-shit
The sad metal steeds have no knackers’ yard
Somewhere wealth is ridden
Or cheap Frankensteins fixed
With nuts through nicked necks
(the saddles go quickly as well)
To prop up Mercury’s arse?
We moving targets make sport
With our blurs of metal
In a city of bourgeois calf-power
The cycle-paths psychopathic with speed
The metaphor seems simple and clear
Oil those chains/keep moving///stay free

Sean Cartwright

Tradução: Virna Teixeira

Sean Cartwright nasceu em York, no norte da Inglaterra. Este poema foi inspirado em Edimburgo, onde mora desde 1991. Poderia ser várias cidades onde a velocidade é essencial mas onde a destruição, desgate material e decadência são inevitáveis. Mas que para ele têm suas próprias qualidades estéticas.

Sean Cartwright is a poet from York in the North of England. Edinburgh, where he has lived since 1991, inspired this poem. It could be many cities where speed is essential but destruction, material wastage and decay inevitable. But these to him have their own aesthetic qualities.

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27. 11. 2005
às 11:41horas.

virna lisi: prelúdio
e contradança

dançar
é objeto avaro

:
eclampsia-
distúrbio

sol-arritmia

dançar
é construir a frase-hiporquema
(expurgo
na noite miosótis)

a frase contra

a frase
coma

a frase
cariátide

Delmo Montenegro

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26. 11. 2005
às 13:25horas.

silêncio

.éum
olhar pass

áro:o
virar;fio,de
vida

(inquirir antes que neve

silence

.is
alooking
bird:the

turn
ing;edge,of
life

(inquiry before snow

e.e.cummings

Tradução: Paulo de Toledo

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24. 11. 2005
às 13:28horas.

Edward Hopper. Excursion into philosophy, 1959.

S.

Dia azul. Um tajá sagitado. Orquídeas - A porta grande de vidro se abre ao jardim - As linhas da sala perpassam os acúleos dos céreos. Areia. Grama. Uma pedra cortada em um cubo. Entre um Lüpertz, entre um Rothenberg, o homem esmaga o cigarro na alpaca do cinzeiro e pensa no dia azul que se abre como um livro, como uma flor, como uma ferida. Pensa no esquilo e no gato de Creeley. Pensa no que fazer com o cadáver da mulher sobre o estofo vermelho.

Francisco dos Santos

“A imagem recorrente”, 2004, Lumme editor.

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21. 11. 2005
às 13:29horas.

Fragmento de Leaves of Grass/ Folhas de Relva,
De Walt Whitman

Fragmento de “Song of Myself” (”Canção de Mim Mesmo”)
Tradução de Rodrigo Garcia Lopes
[…]

Tendo examinado os estratos e analisado nos mínimos detalhes,
E consultado doutores e calculado cuidadosamente e nada de encontrar
gordura mais gostosa do que a colada em meus ossos.
Em todo mundo vejo a mim, ninguém é um grão maior ou menor que eu,
Só falo bem ou mal de mim se falo deles também.

Só sei que sou saudável e robusto,
Para mim os objetos do universo convergem num fluxo perpétuo,
Todos são escritos para mim, e preciso entender o que a escrita significa.

E sei que sou imortal,
Sei que minha órbita não pode ser medida pelo compasso do carpinteiro,
Sei que não apagarei como espirais de luz que crianças fazem à noite
com graveto aceso.

Sei que sou sublime,
Não torturo meu espírito para que se justifique ou seja compreendido,
Vejo que as leis elementares nunca se desculpam,
Percebo que não ajo com orgulho mais elevado que o nível onde planto
minha casa, afinal.

Existo como sou, isso me basta,
Se ninguém mais no mundo está ciente, fico contente,
E se cada um e todos estão cientes, fico contente.

Um mundo está ciente, e é de longe pra mim o mais imenso, eu-mesmo,
E se chego a ser o que sou hoje ou em dez mil ou dez milhões de anos,
Posso aceitá-lo agora mesmo com alegria, ou com a mesma alegria posso
esperar.

Meu pedestal é encaixado e entalhado em granito,
Dou risada do que você chama de decomposição,
Sei da amplidão do tempo.

Sou o poeta do corpo,
E sou o poeta da alma.

Os prazeres do céu estão comigo, os pesares do inferno estão comigo,
Aqueles, enxerto e faço crescer em mim mesmo . . . . estes, traduzo numa
nova língua.

Sou o poeta da mulher tanto quanto do homem,
E digo que é tão bom ser mulher quanto ser homem,
E digo que não há nada maior que a mãe dos homens.

Canto uma nova canção de dilatação ou de orgulho,
Já nos subestimamos e nos insultamos demais,
Provo que grandeza é só desenvolvimento.

Deixou o resto pra trás? Você é o Presidente?
Isso é ninharia . . . . eles vão chegar na frente e irão mais longe ainda.

Sou o que segue com a suave e crescente noite;
Chamo a terra e o mar semi-abraçados pela noite.

Me abrace, noite de seios nus! Me abrace, noite nutritiva e magnética!
Noite de ventos sul! Noite de poucas e imensas estrelas!
Noite ainda sonolenta! Noite de verão nua e maluca!

Sorria ó terra sensual e de hálito fresco!
Terra de árvores sonolentas e líquidas!
Terra de poentes moribundos! Terra de montanhas com picos neblinados!
Terra da vazão vítrea da lua levemente tingida de azul!
Terra de luz e sombra salpicando a correnteza do rio!
Terra do cinza límpido das nuvens ainda mais luminosas e claras por
causa de mim!
Terra de cotovelos varrendo longes! Terra rica de macieiras em flor!
Sorria, seu amante chegou!

[…]

Notas:
1. O livro Leaves of Grass/ Folhas de Relva, traduzido pelo Rodrigo Garcia Lopes será lançado ainda esta mês pela Editora Iluminuras.
2. A formatação original foi em parte perdida por causa das limitações do editor de texto do blog.

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17. 11. 2005
às 10:33horas.

©Roy Lichtenstein, In the car, 1963

LICHTENSTEIN

desenhar uma pin-up
seus contornos, scarpins
tornozelos

a crying girl
señorita, altiva

colar de contas
batom e cílios

platinum blonde
dentro de um ford

Virna Teixeira

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11. 11. 2005
às 13:34horas.

POPART

Pela primeira vez na América do Sul. Desenhos e colagens de Roy Lichtenstein no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

(Roommates, 1993)

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11. 11. 2005
às 13:28horas.

- uma pausa -

Estarei alguns dias ausente, entre Curitiba e Minas Gerais. Trabalho e férias. Volto dia 21 de novembro. Bom feriado.

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10. 11. 2005
às 20:38horas.

Novidades

Uma tradução de Delmore Schwartz especialmente para o blog Pesa-nervos.
Tavinho Paes no Los excessivos.
E hoje à noite tem lançamento do Casulo na Casa das Rosas.

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08. 11. 2005
às 15:39horas.

Tipoo’s Tiger. Victoria & Albert Museum, Londres.

Tigre de Tipoo

O tigre era o seu protótipo.
Os pés dianteiros do seu trono, as patas do tigre.
Ele se erguia pela pirâmide quadrada de convergentes degraus prateados.
As fardas de sua infantaria e da guarda palaciana
traziam pequenas listas escovadas como botoeiras.

Sob o trono, um tapete esmeralda.
Ao se aproximar, cada súdito beijava nove vezes
o aveludado verde-prado do tapete.

Tipu possuía dezesseis felinos para caçar o antílope,
até que um deles, seu furão de formidável cauda,
fugiu pela porta destravada da choupana, numa tábua
sobre o fosso: ali parou. E desapareceu
foi precursor do destino de seu mestre.

Nas armas de Tipu, gravadas com garras e dentes de tigre,
letras espirais diziam: o conquistador é Deus.
O infiel exigiu dele o elmo, a couraça
e seu imenso brinquedo, um curioso autômato
o homem morto pelo tigre; de dentro, pelas tubas
do órgão, gritos de cortar o coração jorravam.
O tigre movia a cauda como o homem o braço.

Um bardo tigre esta balada ainda espera.
Perder um só soldado
é o mesmo que perder muitos em qualquer guerra.


Tippoo´s Tiger

The tiger was his prototype.
The forefeet of his throne were tiger?s feet.
He mounted by a four-square pyramid of silver stairs converging as they rose.
The jackets of his infantry and palace guard
bore little woven stripes incurved like buttonholes.

Beneath the throne an emerald carpet lay.
Approaching it, each subject kissed nine times
the carpet?s velvet face of meadow-green.

Tipu owned sixteen hunting-cats to course the antelope
until his one great polecat ferret with exciting tail
escaped through its unlatched hut-door along a plank
above a ditch; paused, drank, and disappeared
precursor of it master´s fate.

His weapons were engraved with tiger claws and teeth
in spiral characters that said the conqueror is God.
The infidel claimed Tipu´s helmet and cuirasse
and a vast toy, a curious automaton
a man killed by a tiger; with organ pipes inside
from which blood-curdling cries merged with inhuman groans.
The tiger moved its tail as the man move his arm.

This ballad still awaits a tiger-hearted bard.
Great losses for the enemy
can´t make one´s loss less hard.

MARIANNE MOORE

Tradução: Leonardo Gandolfi e Virna Teixeira

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