"até segunda ordem não me risque nada."



30. 09. 2005
às 08:45horas.

AS CASAS VIERAM DE NOITE

As casas vieram de noite
De manhã são casas
À noite estendem os braços para o alto
fumegam vão partir

Fecham os olhos
percorrem grandes distâncias
como nuvens ou navios

As casas fluem de noite
sob a maré dos rios

São altamente mais dóceis
que as crianças
Dentro do estuque se fecham
pensativas

Tentam falar bem claro
no silêncio
com sua voz de telhas inclinadas

Luiza Neto Jorge

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28. 09. 2005
às 08:46horas.

But there are eternal partings, all things end and end forever and nothing could be more important than that. We live with death * * * There is just the dream, its texture, its essence, and in our last things we subsist only in the dream of another, a shade within a shade, fading, fading, fading.

Iris Murdoch

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28. 09. 2005
às 08:43horas.

LINGUAGEM, ESCRITA E PERDA DE MEMÓRIA

Um texto para o site Cronópios sobre a doença de Alzheimer e o Alzheimer’s poetry project, criado pelo poeta Mex Glazner.

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27. 09. 2005
às 08:45horas.

SÉRIES DISCRETAS

Um artigo do poeta e tradutor Ruy Vasconcelos sobre a poesia objetivista de George Oppen no site Trópico.

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26. 09. 2005
às 08:48horas.

Leviatã

A verdade é também sua busca:
Como a felicidade, e não prevalecerá.

Mesmo o verso começa a erodir
No ácido. Busca, busca;

Vento move brando,
Em redemunho, muito frio.

Que devemos dizer?
Em fala comum -

Ora precisamos falar. Não estou mais seguro das palavras,
A mola do mundo. O que é inexplicável,

A “preponderância dos objetos”. O céu esplende
Diariamente com essa predominância

E nos tornamos o presente.

Ora precisamos falar. Medo
É medo. Mas nos abandonamos um ao outro.

Leviathan

Truth also is the pursuit of it:
Like happiness, and will not stand.

Even the verse begins to eat away
In the acid. Pursuit, pursuit;

A wind moves a little,
Moving in a circle, very cold.

How shall we say?
In ordinary discourse -

We must talk now. I am no longer sure of the words,
The clockwork of the world. What is inexplicable

Is the “preponderance of the objects”. The sky lights
Daily with that predominance

And we have become the present.
We must talk now. FearIs fear. But we abandon one another.

GEORGE OPPEN

Tradução: Ruy Vasconcelos

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23. 09. 2005
às 08:15horas.


Robert Delaunay, The raccers (1924-25)

“The best songs are body songs” (Stanley Kunity)

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22. 09. 2005
às 19:00horas.

Areias

O sol que arde e eriça o Saara
realça longas colchas que desfiam
e rebrotam, no tear Tai Chi dos ventos
Soprando temporais sobre as sendas
que por mansidão e andaluza dança
religam os grãos : seus poros vitais
Como a ferida em pele se refaz

Israel Azevedo

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21. 09. 2005
às 08:05horas.

HEY JACK KEROUAC

Paula Valéria Andrade, diretamente de San Francisco, escreve no Cronópios sobre a histórica City Lights Books, a livraria-editora dos beatniks.

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18. 09. 2005
às 20:24horas.

©Nan Goldin. Valérie in the mirror, Paris, 1999

L’hôtel

Paredes vermelhas e espartilho. Cama de dossel. Reflexo no espelho, cômoda, esmalte escuro. Passa delineador nos olhos.

Coleção de relíquias, pavilhão chinês. Pintura vitoriana. Prateleiras turcas.

Ardem velas no crematório.

Vaso de porcelana. Poltrona, roupão de cetim. Banho romano.
No terraço a manhã por trás das cortinas, semi-abertas

ilumina os corpos, adormecidos.

Virna Teixeira

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17. 09. 2005
às 19:25horas.

After the War

(For Susanne Ehrhardt)

After the war
was the dull country I was born in.
The night of Stafford Cripp´s budget
My dad inhaled the blue haze of one last Capstan
then packed it in.
“You were just months old…”
The Berlin airlift.
ATS and REME badges
rattled in our button box.

Were they surprised that everything was different now?
Did it cheese them off that it was just the same
stuck in one room upstairs at my grandma´s
jammed against the bars of my cot
with one mended featherstitch jumper drying
among the nappies on the winterdykes,
the puffed and married maroon counterpane
reflected in the swinging mirror of the wardrobe.
Radio plays. Them loving one another
biting pillows
in the dark while I was sleeping.
All the unmarried uncles were restless,
champing at the bit for New Zealand, The Black
Country, Corby.
My aunties served up for the New Look.

By International Refugee Year
we had a square green lawn and a twelve-inch tele.

Após a Guerra

(Para Susanne Ehrhardt)

Após a guerra
foi o país enfadonho onde nasci.
A noite do orçamento de Stafford Cripp.
Meu pai inalou a fumaça azul de um último cigarro
então parou.
“Você só tinha meses de idade…”
O transporte aéreo de Berlim.
Distintivos da ATS e REME
Chacoalhando na caixa de botões.

Eles estavam surpresos que agora tudo tinha mudado?
Eles não ficaram enjoados que era apenas o mesmo
marasmo no quarto de cima na casa da minha avó
comprimido contra as grades do meu berço
com um suéter de ponto corrente remendado secando
entre as fraldas no varal,
a coberta marrom acolchoada combinando
refletidos no espelho balançante do guarda-roupa.
Rádio toca. Eles amando um ao outro
mordendo travesseiros
no escuro enquanto eu dormia.
Todos os tios solteirões estavam inquietos,
ansiosos pela Nova Zelândia, The Black
Country, Corby.
Minhas tias serviam às Novas Tendências.

No Ano Internacional dos Refugiados
Tínhamos um quadrado de grama e uma tevê de doze polegadas.

LIZ LOCHHEAD

Tradução: Virna Teixeira

Notas:

1. Capstain é uma marca antiga de cigarros.
2. ATS: sigla para Air Traffic Service.
3. REME: sigla para Royal Eletrical & Mechanical Engineers.
4. The Black Country - região ao redor de Birmingham.

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