"até segunda ordem não me risque nada."



25. 05. 2005
às 14:12horas.

José Leonilson Bezerra Dias (1957-1993)
“a parte mais íntima que posso expôr é o meu nome”

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23. 05. 2005
às 07:47horas.


Lou Andreas Salomé

Tu eras para mim a mais maternal das mulheres,
eras um amigo como são os homens,
ao olhar, eras uma mulher
e eras no mais das vezes uma criança.
Eras a coisa mais terna que encontrei,
eras a coisa mais dura com a qual lutei.
Eras o cimo que me tinha abençoado -
e te tornaste o absimo que me devorou.

Rainer Maria Rilke

(Tradução encontrada em um ensaio de Luzilá Gonçalves Ferreira)

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15. 05. 2005
às 08:12horas.


A gruta de Lascaux

Anoitecidos

Partir à deriva. Errar nos escaninhos da memória. Dolorosamente. Com prazer. Assumindo os riscos. As perdas. Os benefícios. Desleixar tudo o mais. Sofregamente acorrentar-me nessa deriva. No mar e no espaço. Vencendo a terra. Para lá do instante e do futuro. Uma nesga de arrebatamento e a loucura. Presa às gaivotas - que inventarei - debicarei as nuvens e, por entre os peixes, descerei àquela gruta, qual buraco negro desconhecido, que me levará a nenhures.

Helena F. Monteiro

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14. 05. 2005
às 08:12horas.

Bonecas

Caixas embrulhadas em papel pardo sobre o armário da avó. Preservadas de mim, minhas bonecas não podiam brincar. Aguardávamos sonhadoras o dia da faxina grande, da troca dos papéis, do desembrulhar de tudo. Dia de festa, de vez em quando chegava. Intervalos e esperas, esquecimento. Os olhos tornaram-se opacos, a pele de vinil desbotou. A mãe não sabia que bonecas envelhecem na caixa. Uma culpa sem graça nos seus olhos negros, mais infantis que os meus.

Neysi Oliveira

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