"até segunda ordem não me risque nada."



27. 02. 2005
às 18:20horas.

But do we interpret the words
Before obeying the order
-The Brown Book

for-

This is difficult but not impossible: coffee
childhood; in the woods there´s a bird;
its song stops you and makes you blush
and so on; it´s her
small and dead behind the roses
better left alone; we wander around the park
and out of our mouths come blood and smoke
and sounds; small children and giants
young mothers and big sisters
will be walking in circles next to the water

Mas será que interpretamos as palavras
antes de obedecer a ordem
-The Brown Book

por-

Isto é difícil mas não é impossível: café
infância; no bosque há um pássaro;
sua música detém você e o faz corar
e assim por diante; é ela
pequena e morta atrás das rosas
melhor deixar como está; vagamos pelo parque
e das nossas bocas saem sangue e fumaça
e sons; crianças pequenas e gigantes
jovens mães e irmãs mais velhas
caminharão em círculos próximo da água

Michael Palmer

(The Lion Bridge. Selected poems 1972-1995, New directions books)

Tradução: Virna Teixeira

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21. 02. 2005
às 09:17horas.

Sentimento leste

Na feira, pela manhã.
Mesmo o cheiro tem sintaxe, peso.
Próximas e distantes a Manchúria,

a Mongólia. Tão branda a luz sobre tangerinas
e verduras levanta em mim o desejo de viver
e viver alegrias, desejo absurdo de nenhum sofrer.

Eucanaã Ferraz

Rua do mundo, Cia das Letras, 2004

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20. 02. 2005
às 08:40horas.

meus amigos
quando me dão a mão
sempre deixam
outra coisa

presença
olhar
lembrança
calor

meus amigos
quando me dão
deixam na minha
a sua mão

Paulo Leminski

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18. 02. 2005
às 15:07horas.

Saibam, pois, que a arte é: um caminho para a liberdade. Todos nós nascemos acorrentados. Um ou outro esquece os seus grilhões, revestindo-os de prata ou de ouro. Mas nós queremos quebrá-los. Não com violência torpe e selvagem; queremos nos desvencilhar crescendo, até que eles não nos caibam mais.

Rainer Maria Rilke, em: O Diário de Florença.

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12. 02. 2005
às 15:02horas.

A solidão em perspectiva

É exactamente porque não há solidão que dizes que há solidão. Imagina que eras o único homem no universo. Imagina que nascias de uma árvore, ou antes, porque eu quero pôr a hipótese de que não há árvores, nem astros, nem nada com que te confrontes: supõe que o universo é só o vazio e que tu nascias no meio desse vazio, sem nada para te confrontares. Como dizeres «eu estou sozinho»? Para pensares em «eu» e em «sozinho» tinhas de pensar em «tu» e em «companhia». Só há solidão «porque» vivemos com os outros…

Vergílio Ferreira, em ‘Estrela Polar’.

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11. 02. 2005
às 15:45horas.

Ereshkigal

as rosas acabaram
são sete os umbrais
onde deixam-se
as vestes

pelo escuro onde o corpo
escava
noite-adentro

desnudado de sombras
dissecado, exposto

em horas púrpuras
que transformam
seu íntimo
retorno

Virna Teixeira

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01. 02. 2005
às 08:36horas.

Uma escada em caracol, como em Gaudí. Laranjeiras.
O pomar no centro do pátio.
Confinamento. O silêncio do convento me acalma, os corredores
largos. Só o barulho dos passos. Sobre as tábuas
desejo dos pés, descalços.

É branco o silêncio. Estas paredes
onde pairam palavras, suspenso
labirinto
janelas, claustro.

E sobre o telhado a chuva
contínua, na cidade dos
templários.

Virna Teixeira

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