24. 05. 2010
às 23:31horas.
Entrevista
Fui entrevistada pela Diana de Hollanda para o Fórum Virtual de Literatura e Teatro da UFRJ. Sobre neurologia, poesia, deslocamentos & os próximos projetos.
"até segunda ordem não me risque nada."
Entrevista
Fui entrevistada pela Diana de Hollanda para o Fórum Virtual de Literatura e Teatro da UFRJ. Sobre neurologia, poesia, deslocamentos & os próximos projetos.
Perfil Literário
Participei há poucos dias do programa Perfil Literário na rádio da UNESP, coordenado pelo Oscar D’Ambrosio. O programa já entrevistou diversos poetas contemporâneos. Os arquivos das entrevistas encontram-se no diretório da rádio. Quem tiver interesse em ouvir minha entrevista, pode clicar aqui.
Entrevista
O site Escritoras Suicidas mudou um pouco de formato: os temas agora são publicados a cada dois meses e desde a edição passada inclui entrevistas com as autoras. Na edição 36, que acaba de sair, eu e a Julya Vasconcelos fomos entrevistadas pela Marília Kubota.

Francis Bacon e William Burroughs. Londres, 1989.
Burroughs: In Tangier, I remember, we had several discussions about painting.
Bacon: Did we?
Burroughs: Yes, much of the time. I remember you saying most of what is going on in painting isn’t painting at all.
Bacon: Did I? Maybe we were talking about abstract painting. Once it was the height of the fashion - I don’t know why, it’s never meant anything to me. To me, even the best of it is just decoration. Jackson Pollock’s paintings might be very pretty but there’re just decoration. I always think they look like old lace. But there’s a terrible thing to say to an American, of an American hero.
Burroughs: No, not mine.
Bacon: I always think marvelous painting will come out of America, because it should, a country with an enormous mixed race. But it doesn’t, it is so dreary, those super-realists, the abstracts expressionists, all so very dreary.
Burroughs: But there must be some modern painters you admire?
Bacon: No, not many now. They’re all dead. There’s Mark Boyle, Richard Hamilton; I’m interested sometimes in what they do. But I’m afraid this isn’t really a country of painters - just Turner; at least we had Turner.
Burroughs: And what about the Americans, let’s say Jasper Johns?
Bacon: I never try to think about Jasper Johns, I hate the stuff and don’t like him either. I met him in Paris. It was mutual. he didn’t like me. It does happen.
Entrevista originalmente concedida para a BBC em 1986, nunca exibida. Em: The gilded life of Francis Bacon, Daniel Farson, Vintage Books, London, 1993.
Invenção
Nova página de poesia no blog do Instituto Humanitas da Unisinos, coordenada por André Dick, que inicia com uma análise da poesia de Armando Freitas Filho.

Fantasma. Antônio Manuel, 1998
Você tem alguma frustração por algo que não conseguiu realizar?
Não chega a ser frustração, mas tem um trabalho, chamado Deserto, que não consegui realizar ainda. Foi pensado há uns quatro anos atrás e é fruto de uma dramática vivência nas areias calientes brasileiras; tem a ver com um assalto que sofri onde levei dois tiros. Mas na época não tive o apoio que esperava para realizá-lo.
O deserto para mim tem conotação poética e estética, do vazio, do pleno, da memória; tem sangue e água. O trabalho parte da idéia poética de que o grão de areia pode conter infinitas transformações, memórias ancestrais. É um plano, uma instalação em progresso. Ele acontece todo dia. Um deserto vai se realimentando, sendo fotografado e registrado, e crescendo para um ponto quase infinito.
Você pertence a uma geração que acreditava muito no poder da arte para transformar a estrutura do mundo. Qual o lugar atual da arte? Ela tem ainda a mesma conotação transformadora?
Há uma teoria que diz que arte é lugar nenhum. Acho que a arte pode estar em qualquer lugar. É uma expressão humana das mais privilegiadas, na medida em que se tem a possibilidade de criar alguns valores reais e humanos ainda fora de um cerceamento, de um controle e de um sistema. A arte é lugar nenhum e é algum lugar também. A arte é energia para alimentar o espírito e, enquanto ela estiver fazendo isso, estará viva. Como diria Mário Pedrosa, ela busca arrancar a pessoa do contexto massificado da mídia. Ezra Pound dizia: “O país que menospreza seus artistas perde a identidade, perde a expressão”. A arte é um lugar fundamental.
Em: Antonio Manuel. Entrevista a Lúcia Carneiro e Ileana Pradilla. Lacerda Editores. Centro de Arte Hélio Oiticica, 1999.

Ansel Adams. Road - Nevada desert, 1960.
A poesia como distância e aproximação
IHU On-Line – Ingressando numa análise de seu trabalho, sua poesia tem como temas centrais a viagem e a solidão. De que modo percebe a viagem no mundo contemporâneo e através dela se constata a procura do indivíduo?
Virna Teixeira - O mundo contemporâneo é povoado, excessivo. Há muita pressa. Os deslocamentos são rápidos, as aproximações são instantâneas, mas superficiais, há a pressão da mídia e da publicidade em toda parte. O espaço sonoro é cada vez mais reduzido. Há muito barulho, muito estímulo, muita competitividade e, paradoxalmente, muita incomunicabilidade e solidão. A forma utilizada para lidar com esta angústia contemporânea é a compulsão, o consumo, o imediatismo. É preciso tempo e coragem para processar esta procura individual, o que requer um movimento interno, uma depuração deste excesso. É preciso um pouco de privacidade, de distância para compreendê-la.
Trecho de entrevista concedida para André Dick, na revista do Instituto Humanitás da Unisinos.

Cenas de abril, 1979. Acervo Ana Cristina Cesar / Instituto Moreira Salles
O que o motivou a fazer de Ana C. seu objeto de estudo? Como a “descobriu”?
Desde que pisei no Brasil e na língua portuguesa, por assim dizer, me interessei pela poesia brasileira. No entanto, confesso que demorei um pouco a entrar na obra de Ana Cristina César, que li num primeiro momento de forma superficial, talvez até preconceituosa: de um lado vítima dos hábitos clássicos da literatura, desprezando a superficialidade “marginal”, o tom confessional sem distância, pouco exigente… Por outro lado, o texto não deixava de instigar. Ensaiando algumas traduções de seus poemas, com uma amiga. Pauline Alphen, fui descobrindo aos poucos toda a sutileza do texto, o humor, os “segredos”… Ainda hoje, depois de anos de convívio com essa obra, ela continua me surpreendendo e me comovendo. Um texto como Luvas de Pelica, que parece à primeira vista um jorro caótico, descontrolado, se revela na verdade extremamente planificado, organizado, e repleto de referência aos autores que ela lia. Basta fazer um levantamento das variações entre as edições “marginais” de Cenas de Abril, Correspondência Completa e Luvas de Pelica, e a reedição desses textos em A Teus Pés (Brasiliense, 1982) para se convencer do esmero meticuloso dessa escrita, nem um pouco displicente.
No entanto quando falo da poesia da Ana Cristina, ainda hoje, continuo muitas vezes esbarrando com certas resistências: ou uma certa desqualificação achando tratar-se de uma poesia barata (avaliação que abarca toda a poesia “marginal”, mas que precisa ser reconsiderada com leituras detalhadas, diferenciadas), ou uma certa apreensão causada pelo aspecto desconcertante dos textos. Houve trabalhos pioneiros, como o artigo de Silviano Santiago (”Singular e Anônimo”) ou a tese de Maria Lúcia de Barros Camargo; continua se publicando e se estudando muito essa obra, porém me parece que a poesia da Ana Cristina ainda não foi posta no seu devido lugar, de excelência, de grande novidade e inventividade.
…
Entrevista com o professor Michel Riaudel, estudioso e trdautor da obra de Ana Cristina César para o francês. Por John Milton, Marina Della Valle e Telma Franco. Cadernos de Literatura em Tradução, número 8, 2008.

Evelyn Hofer. Marianne Moore’s Gloves, 1983.
DONALD HALL: Em sua obra crítica, a senhora faz freqüentes analogias entre o poeta e o cientista. Pensa que essa analogia é útil para o poeta moderno? A maioria das pessoas consideraria esta comparação como um paradoxo, por acreditar que o poeta e o cientista estão em campos opostos.
MARIANNE MOORE: Mas o poeta e o cientista não trabalham de modo análogo? Ambos estão querendo economizar esforço. O rigor consigo mesmo é uma das principais forças de ambos. Os dois estão atentos para as pistas, ambos precisam delimitar suas escolhas, precisam batalhar pela perfeição. Como diz George Gross: “Na arte não há lugar para fofoca, e apenas um lugar muito pequeno para a sátira”. O objetivo é o procedimento fértil. Não é isso? Jacob Bronowski diz em The Saturday Evening Post que a ciência não é simples coleção de descobertas, e sim o processo de descobrir. Nos dois casos, nada está estabelecido de uma vez para sempre, tudo está em evolução.
The Paris Review, Escritoras e a arte da escrita. Ed Gryphus, 2001.