11. 08. 2010
às 00:15horas.
Arquivo

Harry Callahan. Atlanta, 1984. San Francisco Museum of Modern Art.
"até segunda ordem não me risque nada."
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Harry Callahan. Atlanta, 1984. San Francisco Museum of Modern Art.

O Jardim do Interrogador. Paula Rego, 2000 (pastel sobre papel).
A Fundação de Vítimas para a Tortura pediu-me para fazer qualquer coisa que eles pudessem vender, e contaram-me a história de uma rapariga que tinha sido presa. É uma história horrível; ela só se salvou porque o tio dela subornou os guardas para que estes a levassem num caixote de lixo e a despejarem no meio de uma lixeira…E eu pensei “é isso que vou fazer, vou fazer o jardim desse interrogador, onde ele trata de suas flores”. E então pensei, “olha que giro, Lila, vais-te vestir de inquisidor”. Ela então encheu-se de enchumaços e eu fui comprar as luvas de jardinagem e as outras coisas, e ali está ela.
“Então isto é uma espécie de tragicomédia”, observa o entrevistador. “Sim, ou uma espécie de gozo, se preferir”, responde a artista.
Atacar o privilégio e autoridade por meio do “gozo” é, evidentemente, a a arma da sátira; e o uso da inversão de estatuto ou de género como forma de compensação simbólica é o ofício comum nos rituais de inversão tais como eles tradicionalmente ocorrem durante o carnaval ou nas festividades estivais (…) Um ofício como este tem que ser visto, na contexto da obra de Paula Rego, como partilhando de uma estratégia consciente de subversão: “os meus temas favoritos”, comentou ela, “são os jogos provocados pelo poder, o domínio e as hierarquias. Dá-me sempre vontade de pôr tudo de pernas para o ar, desalojar a ordem estabelecida, alterar as heroínas e os imbecis”.
(…) Tenho fortes sentimentos políticos acerca das mulheres, acho que o mundo está a tornar-se de novo mais masculino. Como pintora, penso que há sempre uma história para contar que ainda não foi contada”.
Ruth Rosengarten
Em: Contrariar, esmagar, amar. A Família e o estado Novo na obra de Paula Rego. Assírio & Alvim, 2009

Joana Vasconcelos, “Dorothy”, 2007.
Panelas e tampas em aço inox, cimento 150 x 430 x 270 cm.
Coleção Berardo, Lisboa.

“All beauty must die”. Foto: Patrícia Almeida.
Come a little bit closer
Hear what I have to say
Just like children sleepin’
We could dream this night away.
But there’s a full moon risin’
Let’s go dancin’ in the light
We know where the music’s playin’
Let’s go out and feel the night.
(…)
Neil Young (Harvest moon)